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Diferenças e Validade dos Sacramentos: Igreja Ortodoxa e Igrejas Católicas Orientais

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Validade dos Sacramentos: Igreja Ortodoxa e Igrejas Católicas Orientais
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Qual é a diferença entre a Igreja Ortodoxa, as Igrejas Católicas Orientais e a Igreja Católica Apostólica Romana? Embora compartilhem uma mesma origem apostólica e conservem grande parte da mesma fé dos primeiros séculos do Cristianismo, existem diferenças históricas, disciplinares e de comunhão eclesial que precisam ser compreendidas. A Igreja Católica reconhece que os ortodoxos e os católicos orientais possuem sucessão apostólica válida e sacramentos autênticos, o que os distingue profundamente das comunidades cristãs surgidas após a Reforma Protestante.

A Origem Comum

Nos primeiros mil anos do Cristianismo, a Igreja era una, embora organizada em diversas sedes importantes, como Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. Com o passar dos séculos, diferenças culturais, linguísticas, políticas e teológicas foram surgindo entre o Oriente e o Ocidente cristãos. Essas tensões culminaram no chamado Grande Cisma do Oriente, ocorrido em 1054, quando houve a ruptura formal da comunhão entre Roma e grande parte das Igrejas orientais.

Os gregos (oriente) acusavam os latinos (ocidente) de haver acrescentado ao Símbolo da Fé (Creio) Niceno-Constantinopolitano a palavra “Filioque” (o Espírito Santo procede do Pai “e do Filho”); este acréscimo corresponde a autêntica verdade, mas os bizantinos alegavam qeu não era lícito retocar o texto dos concílios anteriores. As outras alegações dos bizantinos versavam sobre o pão ázimo ou pão fermentado na Eucaristia, jejum aos sábados, uso de barba, ou seja, coisas muito secundárias. Com os gregos, outros orientais (rumenos, búlgaros, russos..) se separaram de Roma. Constituem hoje um bloco de 250 milhões a 300 milhões de fiéis. A partir desse acontecimento, desenvolveram-se dois grandes grupos:

  • A Igreja Católica, em comunhão com o Bispo de Roma (o Papa).
  • As Igrejas Ortodoxas, separadas da comunhão com Roma.

Posteriormente, algumas Igrejas orientais retornaram à plena comunhão com o Papa, preservando suas tradições próprias. Essas comunidades formam hoje as Igrejas Católicas Orientais.

O que é a Igreja Católica Apostólica Romana?

A Igreja Católica Apostólica Romana é a maior Igreja cristã do mundo e está em plena comunhão com o sucessor de São Pedro, o Papa, atualmente Papa Leão XIV. É a Igreja que mantém desde sua instituição a ligação com Cristo, pois Ele mesmo a instituiu.

O Papa mantém a autoridade da Igreja de Cristo (Imagem: Freepik)

Sua liturgia principal é o Rito Latino (ou Romano), embora também faça parte da Igreja Católica uma série de Igrejas Orientais Católicas com ritos próprios. A Igreja Católica ensina que o Papa possui um ministério universal de unidade e autoridade sobre toda a Igreja, exercendo o primado recebido de Cristo por meio de São Pedro.

O que é a Igreja Ortodoxa?

As Igrejas Ortodoxas são um conjunto de Igrejas autocéfalas (autônomas), como a Igreja Ortodoxa Grega, a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Ortodoxa Sérvia. Elas preservam:

  • A sucessão apostólica.
  • Os sete sacramentos.
  • A veneração dos santos.
  • A devoção à Santíssima Virgem Maria.
  • A liturgia antiga.
  • A fé na Presença Real de Cristo na Eucaristia.

A principal diferença doutrinária em relação à Igreja Católica está na questão do primado do Papa. Os ortodoxos reconhecem ao Bispo de Roma uma primazia de honra histórica, mas não aceitam a jurisdição universal nem a infalibilidade papal definida pela Igreja Católica.

O que são as Igrejas Católicas Orientais?

As Igrejas Católicas Orientais são Igrejas orientais que mantêm suas tradições litúrgicas, espirituais e disciplinares próprias, mas estão em plena comunhão com Roma e reconhecem a autoridade do Papa. Alguns exemplos são:

  • Igreja Greco-Católica Ucraniana
  • Igreja Maronita
  • Igreja Melquita Greco-Católica
  • Igreja Católica Caldeia

Essas Igrejas não são “menos católicas” do que a Igreja Latina. Elas possuem a mesma fé, os mesmos sacramentos e a mesma comunhão eclesial, diferindo principalmente nos ritos, na espiritualidade e em algumas disciplinas. Por exemplo, em várias Igrejas Católicas Orientais é possível a ordenação de homens casados ao sacerdócio, embora os bispos sejam escolhidos entre os celibatários.

Principais Diferenças

Tema Igreja Católica Romana Igrejas Católicas Orientais Igrejas Ortodoxas
Comunhão com o Papa Sim Sim Não
Sucessão Apostólica Sim Sim Sim
Sete Sacramentos Sim Sim Sim
Liturgia Rito Romano Ritos Orientais Ritos Orientais
Infalibilidade Papal Sim Sim Não
Jurisdição Universal do Papa Sim Sim Não
Padres Casados Normalmente não Em muitos casos sim Sim, em diversas Igrejas

Os Sacramentos Ortodoxos são válidos?

Sim. A Igreja Católica ensina que os sacramentos administrados pelas Igrejas Ortodoxas são válidos porque elas conservaram a sucessão apostólica e o sacerdócio válido.

Apesar da divisão, os sacramentos da Igreja Ortodoxa são reconhecidos pela Igreja Católica, pois ela mantém a sucessão apostólica (Ilustração IA)

São reconhecidos como válidos:

  • Batismo.
  • Crisma (Confirmação).
  • Eucaristia.
  • Penitência (Confissão).
  • Unção dos Enfermos.
  • Ordem Sacerdotal.
  • Matrimônio.

Por esse motivo, em situações especiais previstas pelo Direito Canônico, católicos podem receber certos sacramentos de ministros ortodoxos, e ortodoxos podem receber determinados sacramentos de ministros católicos, quando houver necessidade e forem observadas as normas da Igreja.

Os Sacramentos das Igrejas Católicas Orientais são válidos?

Sim, plenamente válidos. Na verdade, as Igrejas Católicas Orientais fazem parte da própria Igreja Católica. Seus sacramentos possuem exatamente a mesma validade dos sacramentos celebrados na Igreja Latina. Um católico romano pode participar da Santa Missa ou da Divina Liturgia em uma Igreja Católica Oriental e cumprir normalmente seu preceito dominical. Da mesma forma, um fiel católico oriental pode participar dos sacramentos em uma paróquia latina.

Como a Igreja Ortodoxa preserva a Sucessão Apostólica se não está em comunhão com o Papa?

A Igreja Católica ensina que a sucessão apostólica é preservada quando os bispos são validamente ordenados por outros bispos que também receberam validamente o sacramento da Ordem, remontando aos Apóstolos. Para que uma ordenação seja válida, são necessários:

  • Um bispo validamente ordenado.
  • A intenção de fazer o que a Igreja faz ao ordenar.
  • O rito sacramental válido.

Quando ocorreu o Grande Cisma do Oriente, os bispos orientais não perderam automaticamente a sucessão apostólica. Eles continuaram possuindo bispos validamente ordenados e continuaram transmitindo o sacramento da Ordem ao longo dos séculos. Por isso, a Igreja Católica reconhece que os bispos e sacerdotes ortodoxos possuem sacerdócio válido e celebram sacramentos válidos.

A Igreja Católica considera os Ortodoxos hereges?

Atualmente, a Igreja Católica evita essa linguagem para se referir aos ortodoxos. O ensino contemporâneo reconhece que as Igrejas Ortodoxas são verdadeiras Igrejas particulares, dotadas de sucessão apostólica e sacramentos válidos. O Concílio Vaticano II ensinou que existe uma profunda comunhão entre católicos e ortodoxos, embora ainda não haja plena unidade visível devido às divergências sobre o primado do Papa e outras questões eclesiológicas.

Conclusão

A Igreja Católica Apostólica Romana, as Igrejas Católicas Orientais e as Igrejas Ortodoxas compartilham uma herança apostólica comum que remonta aos próprios Apóstolos. As Igrejas Católicas Orientais permanecem em plena comunhão com o Papa, conservando suas tradições orientais. Já as Igrejas Ortodoxas, embora separadas da comunhão com Roma desde o Grande Cisma de 1054, preservam sucessão apostólica válida e todos os sete sacramentos.

Por isso, a Igreja Católica reconhece a validade dos sacramentos ortodoxos e considera os fiéis ortodoxos irmãos na fé, desejando que um dia se realize plenamente a oração de Cristo: “Que todos sejam um” (Jo 17,21).

Porém, vale dizer que a Igreja Católica, representada pelo autêntico sucessor de Pedro em Roma e pelos fiéis que estão em comunhão com ele, continua a ser, mesmo após a separação de Bizâncio e de outros grupos cristãos, a depositária junto à qual os homens encontram incontaminados os meios necessários à sua santificação.

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