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Por que pedir a intercessão dos santos?

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Muitas pessoas perguntam: por que pedir a intercessão dos santos, se podemos rezar diretamente a Deus? Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre católicos e também entre aqueles que desejam compreender melhor a fé da Igreja. Toda oração é dirigida a Deus, e os santos, já unidos plenamente a Cristo no Céu, podem interceder por nós, assim como um cristão pode rezar pelo outro aqui na terra. Essa prática possui sólido fundamento na Sagrada Escritura, na Tradição Apostólica e no ensinamento oficial da Igreja. Veremos a seguir por que a Igreja pede a intercessão dos santos e da Virgem Maria, o que diz a Bíblia, o Catecismo da Igreja Católica e como os numerosos milagres reconhecidos pela Igreja confirmam a poderosa ação de Deus por meio daqueles que viveram santamente. Leia mais: Católicos adoram imagens, Maria e os Santos?

Por que pedir a intercessão dos santos?

A palavra intercessão significa pedir em favor de alguém. Quando um católico pede a intercessão de um santo, ele não está adorando o santo, nem colocando-o no lugar de Deus. Está apenas pedindo que aquele santo apresente suas orações diante do Senhor. É semelhante ao que faz São Paulo quando recomenda:

“Recomendo, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens.” (1Tm 2,1)

Se a Bíblia recomenda que os cristãos rezem uns pelos outros, quanto mais aqueles que já vivem plenamente na presença de Deus. Leia mais: Frases de Santo Agostinho sobre o Amor a Deus

A intercessão da Virgem Maria

Entre todos os santos, a Igreja reconhece uma missão única da Bem-aventurada Virgem Maria. Ela é a Mãe de Jesus e também nossa mãe espiritual (Jo 19,26-27). Seu papel de intercessora aparece claramente nas Bodas de Caná. Leia mais: Frases dos Santos sobre Nossa Senhora, a Virgem Maria

O primeiro milagre de Jesus aconteceu por intercessão de Maria

Durante a festa, faltou vinho. Maria percebeu a necessidade antes de todos e disse a Jesus:

“Eles não têm mais vinho.” (Jo 2,3)

Depois orientou os serventes:

“Fazei tudo o que Ele vos disser.” (Jo 2,5)

Em seguida, Jesus realizou seu primeiro milagre público, transformando água em vinho (Jo 2,1-11). Esse episódio revela algo muito importante: Deus quis realizar o início dos sinais messiânicos acolhendo o pedido de sua Mãe. Não porque necessitasse dela, mas porque livremente quis associá-la à sua obra salvífica, mostrando a eficácia de sua intercessão. O Catecismo afirma:

“A função maternal de Maria para com os homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; antes manifesta a sua eficácia.” – CIC 970

Portanto, pedir a intercessão de Maria jamais diminui Cristo. Pelo contrário, conduz sempre a Ele.

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Os santos estão vivos em Cristo

Jesus ensinou que Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.

“Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos; porque para Ele todos vivem.” (Lc 20,38)

Os santos não desapareceram com a morte. Pelo contrário, vivem para sempre em Cristo. São Paulo também afirma:

“Nem a morte, nem a vida… poderá separar-nos do amor de Deus.” (Rm 8,38-39)

Assim, a comunhão entre os membros da Igreja não termina com a morte.


A comunhão dos santos

A Igreja fala da Comunhão dos Santos, isto é, da união entre:

  • a Igreja peregrina (nós, na terra);
  • a Igreja padecente (as almas do purgatório);
  • a Igreja triunfante (os santos no Céu).

Todos permanecem unidos em Cristo. O Catecismo ensina:

“A união dos que caminham na terra com os irmãos que dormiram na paz de Cristo de forma alguma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé constante da Igreja, ela é fortalecida pela comunicação dos bens espirituais.” – Catecismo da Igreja Católica, n. 955

Mais adiante afirma:

“A intercessão deles é o mais elevado serviço que prestam ao plano de Deus.” – CIC 956

Os santos não deixam de amar aqueles que permanecem na terra. Pelo contrário, amam ainda mais perfeitamente.


A Bíblia mostra os santos apresentando nossas orações

O livro do Apocalipse apresenta uma das passagens mais importantes sobre esse tema.

“Os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro… segurando taças de ouro cheias de perfume, que são as orações dos santos.” (Ap 5,8)

Mais adiante:

“Subiu da mão do anjo, diante de Deus, a fumaça do incenso com as orações dos santos.” (Ap 8,3-4)

A Sagrada Escritura mostra claramente que as orações dos fiéis são apresentadas diante de Deus no Céu.


Cristo é o único mediador

Alguns citam:

“Há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo.” (1Tm 2,5)

A Igreja concorda plenamente. Somente Cristo reconciliou a humanidade com o Pai mediante sua morte e ressurreição. Contudo, isso não impede que existam intercessores unidos a Cristo, pois o próprio São Paulo recomenda que os cristãos intercedam uns pelos outros (1Tm 2,1). Os santos participam dessa única mediação de Cristo, nunca a substituem.


Os milagres reconhecidos pela Igreja confirmam a intercessão dos santos

Ao longo dos séculos, milhares de graças foram atribuídas à intercessão dos santos. Para que alguém seja canonizado, normalmente é necessário que a Igreja reconheça milagres ocorridos após sua morte, rigorosamente investigados por médicos, cientistas, teólogos e peritos independentes. Somente quando não existe explicação científica satisfatória e há nexo claro entre a oração dirigida ao candidato e a cura é que o milagre pode ser reconhecido.


Os corpos incorruptos dos santos

Outro fenômeno que impressiona a ciência são os chamados corpos incorruptos. Diversos santos tiveram seus corpos encontrados muitos anos após a morte em extraordinário estado de conservação, sem explicação plenamente satisfatória pelas condições naturais do sepultamento. São mais de 100 casos reconhecidos pela Igreja. Entre os exemplos mais conhecidos estão:

  • Santa Bernadette Soubirous;
  • Santa Catarina Labouré;
  • São João Maria Vianney.

A Igreja, porém, é prudente: a incorruptibilidade não é requisito para a santidade, nem é considerada, por si só, um milagre. Trata-se de um sinal extraordinário que, em alguns casos, acompanha a vida de santidade de determinadas pessoas.

A Igreja sempre acreditou que aqueles que contemplam Deus face a face continuam rezando pelos irmãos que ainda caminham rumo ao Céu. Pedir a intercessão dos santos é uma prática profundamente bíblica e enraizada na Tradição da Igreja. Os santos não substituem Jesus Cristo, único Salvador e único Mediador da Nova Aliança. Ao contrário, participam de sua obra de amor, intercedendo por nós como membros glorificados do mesmo Corpo de Cristo.

Da mesma forma que pedimos orações aos irmãos que vivem conosco, podemos recorrer àqueles que já alcançaram a glória celeste. A Virgem Maria ocupa um lugar singular nessa comunhão, conduzindo sempre os fiéis ao seu Filho, como fez nas Bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). Os inúmeros milagres reconhecidos pela Igreja, as curas cientificamente inexplicáveis e os sinais extraordinários associados à vida de muitos santos recordam que Deus continua agindo na história. A intercessão dos santos não diminui a glória de Cristo; antes, manifesta a força da comunhão da Igreja e o poder da graça divina, que une Céu e terra em uma única família de fé.

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