Se Deus é plenamente bom, por que existe o mal no mundo? Deus criou o Mal, a morte, o pecado?
Deus criou satanás?
Apocalipse 12, 7-9.12-13.17
“7* Aconteceu então uma batalha no céu: Miguel e seus Anjos guerrearam contra o Dragão. 8 O Dragão batalhou juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado, e no céu não houve mais lugar para eles. 9* Esse grande Dragão é a antiga Serpente, é o chamado Diabo ou Satanás. É aquele que seduz todos os habitantes da terra. O Dragão foi expulso para a terra, e os Anjos do Dragão foram expulsos com ele. 12 Por isso, faça festa, ó céu. Alegrem-se os que aí vivem. Mas ai da terra e do mar, porque o Diabo desceu para o meio de vocês. Ele está cheio de grande furor, sabendo que lhe resta pouco tempo.» 13* Quando viu que tinha sido expulso para a terra, o Dragão começou a perseguir a Mulher, aquela que tinha dado à luz um menino homem. 17 Cheio de raiva por causa da Mulher, o Dragão começou então a atacar o resto dos filhos dela, os que obedecem aos mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus.”
Antes da criação do mundo, Deus deu a conhecer a Lúcifer (=anjo de luz), que o próprio Deus se manifestaria à humanidade através de Jesus. Mas Lúcifer se recusou a adorar o Verbo Encarnado, apesar deste ser humano, Jesus, ser o próprio Deus. Por isso, Lúcifer se rebelou contra Deus, travou a batalha no Céu, onde Miguel tornou-se o Grande Arcanjo Miguel, Príncipe das Milícias Celestes, fazendo ecoar seu clamor: QUEM COMO DEUS? Que expressa o significado de seu nome Mikha’el = QUEM COMO DEUS! Portanto, o Mal foi precipitado do Céu, e Lúcifer e seus anjos decaídos, vivem a nos afastar de Deus, nos tentar, nos levar para a morte eterna, por ódio à raça humana, ao amor que Deus tem por nós. Leia mais: A Teoria do Big Bang contraria a fé?
A Igreja ensina que Satanás e os demais demônios tornaram-se maus por uma escolha livre e irrevogável contra Deus (cf. Catecismo da Igreja Católica, 391-393). Essa rebelião foi motivada pelo orgulho, resumido na expressão tradicional: “Non serviam” (“Não servirei”). Leia mais: Satanás pode se arrepender?
Catecismo da Igreja Católica, 391-393: A queda dos anjos
391. Por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus (266), a qual, por inveja, os faz cair na morte (267). A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo (268). Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. «Diabolus enim et alii daemones a Deo quidem natura creati sunt boni, sed ipsi per se facti sunt mali – De facto, o Diabo e os outros demónios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus» (269).
392. A Escritura fala dum pecado destes anjos (270). A queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino. Encontramos um reflexo desta rebelião nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: «Sereis como Deus» (Gn 3, 5). O Diabo é «pecador desde o princípio» (1 Jo 3, 8), «pai da mentira» (Jo 8, 44).
393. É o carácter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. «Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte» (271).
A origem do pecado
Gênesis 3, 1-15
“[1]A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” [2]A mulher respondeu-lhe: Podemos comer do fruto das árvores do jardim. [3]Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.” [4]“Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! [5]Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” [6]A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente. [7]Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si. [8]E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde. O homem e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus, no meio das árvores do jardim. [9]Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: “Onde estás?” [10]E ele respondeu: “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo, porque estou nu; e ocultei-me.” [11]O Senhor Deus disse: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?” [12]O homem respondeu: “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi.” [13]O Senhor Deus disse à mulher: Porque fizeste isso?” “A serpente enganou-me,– respondeu ela – e eu comi.” [14]Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. [15]Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”
O livro do Gênesis não tem o intuito de nos mostrar COMO o mundo foi criado, mas PORQUE foi criado. É um relato poético, não científico. Devemos lembrar que nem a ciência relata com 100% de precisão COMO o mundo foi criado. Leia mais: Como viviam Adão e Eva antes do pecado original?
Livre arbítrio: sinal da perfeição do amor de Deus
Todos fomos criados com o livre arbítrio, ou seja, a liberdade de escolha entre o Bem e o Mal. Isto para que possamos amar a Deus livremente, não obrigados, como marionetes.
Pecado original: orgulho de querer ser igual a Deus
O relato do Gênesis mostra como o pecado entrou no mundo. A Revelação de Deus por meio da Bíblia e da Tradição da Igreja, nos ensina que por causa do pecado da desobediência ao Criador, nossos primeiros pais perderam a “graça santificante” que lhes dava uma comunhão íntima com Deus, e perderam também o estado de “justiça original” que garantia a harmonia do homem com Deus, com a mulher, consigo mesmo e com a natureza. Se se mantivesse fiel a Deus e ao modo de vida proposto por Deus (simbolizado pela proibição da fruta da árvore da ciência do bem e do mal, cf. Gn 2,16s) ele não perderia esses dons. Mas, o homem não quis obedecer a Deus e, por autossuficiência recusou o seu modelo de vida. Pecaram por soberba e desobediência, disseram NÃO a Deus, e sim ao Tentador. Por isso, perdeu o controle de si mesmo e ficou sujeito às suas paixões desordenadas (=concupscência). Nas origens da história humana há um pecado que é responsável pela miséria física e moral que o homem sofre através dos séculos: o pecado original. Como ensina São Paulo:
“Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano…” (Rm 5,12).
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As consequências do pecado
Em relação aos primeiros pais, o pecado acarretou a perda da justiça original, ou seja, da filiação divina e dos dons que a acompanhavam. O texto sagrado (Gn 3,7) diz que, após o pecado, “abriram-se-lhes os olhos e reconheceram que estavam nus”. Essa nudez é a perda dos dons originais. A concupiscência, a desordem das paixões se manifestou; por isto sentiram a necessidade de se vestir a fim de encobrir a sua natureza desregrada.
Os homens perderam o dom da imortalidade (ou o poder não morrer); sem dúvida, a morte é um fenômeno natural, inerente à criatura, mas a sua realidade hoje é consequência do primeiro pecado, conforme a S. Escritura (cf. Rm 5,12.19). O mesmo se diga em relação ao sofrimento; é um dos precursores da morte. Em relação aos descendentes dos primeiros pais, o pecado original tornou-se algo de hereditário. Todos os seres humanos nascem com a culpa original. É preciso entender que não se trata de culpa pessoal ou de pecado voluntário. O pecado original resultou na ausência dos dons originais (graça santificante, dons preternaturais), que os primeiros pais deviam ter guardado e transmitido, mas não puderam transmitir porque pecaram.
A criança que hoje nasce, devia nascer com a graça santificante, mas isto não acontece; ela nasce destoando do exemplar ou do modelo que o Senhor lhe tinha assinalado; essa dissonância (que implica a concupiscência desordenada e a morte) é que se chama, por analogia, “pecado original” nos pequeninos. Por que Deus quis que a culpa dos primeiros pais assim repercutisse nos seus descendentes? Seria Deus vingativo? A criança, que não pediu a eventualidade de nascer, muito menos pediu nascer com pecado! Vejamos esse exemplo: uma semente de má qualidade dará frutos de má qualidade. Assim como herdamos dos nossos pais biológicos seus traços físicos, a espécie humana herdou dos primeiros pais o pecado original.
- Consequências do pecado: separação de Deus, feridas interiores, doenças sociais e físicas, injustiças sociais, morte:
É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio a provarão. (Sabedoria 2, 24)
O salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6, 23)
- Causas do pecado, o que ocasiona o pecado: o demônio (causa primária), natureza humana (causa secundária).
Assim, conforme a Sagrada Escritura e a doutrina da fé, a origem do mal no mundo está no pecado, no plano moral. E isto fez surgir o mal físico (doenças, mortes, catástrofes, calamidades…). Para explicar todo o sofrimento que há no mundo São Paulo disse que: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6,23). É pelo pecado, tanto o original quanto os pessoais, que o demônio escraviza a humanidade e a afasta de Deus, fazendo-a sofrer. É por isso que Jesus veio, se encarnou, para “tirar o pecado do mundo” (Jo 1,19). Ele aceitou derramar todo o Seu Sangue e sofrer tudo o que sofreu para arrancar do mundo a raiz de todo mal: o pecado.
Onde abundou o pecado, superabundou a graça. (Romanos 5,20)
Portanto, mesmo sabendo que o ser humano pecaria, Deus nos criou por amor, com um plano maior de Redenção e união com Ele. Essa é a grandeza da misericórdia divina.
Leia também:
João 20,23 – Jesus deu à Igreja poder para perdoar os pecados.
1 João 1,8-10 – Precisamos reconhecer que somos pecadores, buscar o perdão e a graça de Deus para continuarmos firmes na caminhada de santidade.
*** O MAL É A AUSÊNCIA DE DEUS ***
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- O que é o pecado?
- Qual é o pecado original?
- Como o mal entrou no mundo?
- Quais são as consequências do pecado?
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Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS” D. Estevão Bettencourt
www.cleofas.com.br






























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