Meditação para o 5º dia:
O Espírito Santo e os Seus frutos
Chamamos Frutos do Espírito Santo aqueles preciosos efeitos que Ele produz nas almas, mediante a infusão dos Seus Dons, os quais, postos à disposição das almas, tornam-nas fecundas de atos sobrenaturais de virtudes, que são frutos de santidade e de vida eterna. A nossa natureza, viciada em Adão, é como uma árvore silvestre que dá frutos amargos e ingratos. O Espírito Santo realiza nestas árvores um saudável enxerto, que as faz de certo modo transformar a natureza, onde o suco vital, ou seja, a natural virtude operativa do homem, passando pelo novo enxerto, nele recebe as boas qualidades e dá frutos doces e salubres. E, falando propriamente, não é o homem que produz aqueles bons frutos, mas o Espírito Santo, princípio eternamente fecundo da vida sobrenatural. Toda árvore, boa ou má, se conhece pelos frutos que produz; e cada ramo da árvore frutífera será por Deus podado a fim de que produza maior fruto (Cf. Jo 15, 3). Não basta, portanto, o enxerto para que uma árvore ruim produza bons frutos, é preciso que o empenhado agricultor faça a poda e que a cultive. E é aqui que acontece o miserável naufrágio da virtude de tantos cristãos que relutam diante do sofrimento. Gozam aqueles, de serem enxertados com o precioso broto da graça divina, mas não querem depois, que a mão providente do celeste Agricultor lhes pode, isto é, não querem despojar-se totalmente de seus afetos terrenos, não querem cortar generosamente suas paixões favoritas e mesmo que quisessem ser ramos frutíferos da árvore do paraíso, querem também reter em si os parasitas selvagens do antigo inimigo; isto é, afetos mundanos, amor próprio, orgulho, avareza e coisas semelhantes. Mas esses vergonhosos ramos, que mesmo diante do precioso enxerto permanecem selvagens e estéreis, no fim não serão rejeitados e lançados ao fogo?
Oração: Ó Divino Espírito, se eu considero que também na minha alma realizas aquele enxerto salutar pelo qual esta mesma alma deveria produzir frutos de vida eterna, reflito na minha deplorável instabilidade, libero um amargo suspiro do meu coração… Onde estão aqueles frutos que eu, como ramo de uma árvore divina deveria produzir; aqueles frutos que deveriam estar maduros pelos ardores celestes do Espírito Santo? Quantos são? São perfeitos? Um outro amargo suspiro é a resposta! Mas de quem é a culpa desta vergonhosa esterilidade? Senhor, eu me acuso diante dos Vossos pés: A culpa é minha, é toda minha! Eu não quis que pela Vossa Mão benéfica, fosse tirado de minha volta as ervas daninhas das paixões e dos vícios; e recusei o ferro saltar da mortificação cristã; a acídia se opôs em mim às santas obras; a frieza e a inconstância apagaram meu fervor; não correspondi fielmente às vossas graças, ó Divino Espírito. Sou semelhante a uma planta estéril e inútil, não estando apta senão a ser lançada ao fogo. Meu Deus! Para o fogo do Inferno não quero ir. Lança-me mais ainda no Fogo do Vosso Amor, que purifica as almas e torna-as fecundas dos santos Frutos.





























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