EVANGELHO (Lucas 1, 26-31)
26 – Naquele tempo, estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,
27 – a uma virgem desposada com um varão, que se chamava José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.
28 – Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe:
“Ave, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres.”
29 – Ela, ao ouvir estas palavras, turbou-se e perguntava a si mesma que saudação seria aquela.
30 – E o anjo lhe disse:
“Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus.
31 – Eis que conceberás no ventre e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.”
AS APARIÇÕES DE LOURDES
O Evangelho nos conta a aparição do Arcanjo Gabriel à Virgem Santíssima para comunicar-lhe que havia sido escolhida para ser a Mãe de Deus. Por sua vez, a Virgem Santa vem, de vez em quando, transmitir-nos as mensagens do céu, aparecendo neste mundo para aproximá-lo de seu Jesus.
Entre estas numerosas aparições, merecem lugar de destaque as de Lourdes, tanto pelos ensinamentos que nos trazem, como pelos numerosos milagres que continuam a operar-se neste lugar. Contemplemos esta maravilha da ternura da Mãe de Jesus, considerando:
I – A sua aparição tão bela
II – Os seus ensinamentos
I – A APARIÇÃO
As aparições da Virgem Imaculada, Nossa Senhora de Lourdes, constituem como que o centro milagroso do reino de Maria no mundo. Nenhum lugar foi testemunha de tantos e tamanhos favores, de tantas conversões e de tantas curas milagrosas como esse lugar bendito.
Origem das Aparições de Nossa Senhora de Lourdes
Em 1858, a Mãe de Jesus manifestou-se ali 18 vezes à feliz vidente Bernadette, hoje Santa Bernadette. As aparições sucederam-se desde o dia 11 de fevereiro até 16 de julho.
Bernadette, tendo ido recolher lenha à margem do rio Gave, perto de Lourdes, e aproximando-se de uma gruta natural cavada no rochedo dos Pireneus, ouviu de repente um sussurro semelhante ao ruído de um vento bravio e, levantando a cabeça, caiu de joelhos, como que ofuscada pelo que tinha diante dos olhos.
A Senhora de Incomparável Beleza
No fundo e no alto da gruta, numa espécie de escavação no rochedo, estava em pé, em meio de um clarão fulgurante, uma mulher de incomparável beleza. A visão nada tinha de indeciso: era um verdadeiro corpo humano, uma pessoa viva, que não se diferenciava em nada de uma pessoa comum, senão pela auréola luminosa que a cercava e por sua beleza sobre-humana.
Era de estatura média; parecia muito jovem, reunindo a candura da criança à pureza da Virgem, a gravidade terna da mãe à majestade da Soberana. O seu semblante era de um encanto irresistível.
Seus olhos azuis tinham uma suavidade que parecia derreter o coração. Seus lábios tinham uma expressão de imensa bondade e doçura. As vestes da aparição, de um tecido desconhecido na terra, eram mais alvas e mais resplandecentes que a neve das montanhas. O vestido longo e flutuante deixava ver apenas os pés, de uma alvura virginal, pousados no rochedo. Sobre cada um deles brilhava uma rosa cor de ouro.
Uma cinta azul, como o céu, pendia em duas faixas, acompanhando o vestido até embaixo. Um véu branco encobria-lhe a cabeça, envolvendo os ombros. Um rosário, de contas alvas como gotas de leite, cuja corrente dourada parecia luminosa, pendia das mãos postas da aparição misteriosa.
Os pedidos de Nossa Senhora de Lourdes nas primeiras aparições
Ela se conservou silenciosa nas primeiras aparições e, nas subsequentes, falava pouco e com poucas palavras. As primeiras aparições são uma espécie de identificação, nas quais a Virgem Santa convida a menina a voltar a este lugar, a convocar o povo, a dizer aos padres que ali quer que se edifique uma igreja, que se reze, que se faça penitência pela conversão dos pecadores, beijando a terra em sinal de humilhação.
“Eu sou a Imaculada Conceição”
A aparição mais importante deu-se no dia da Anunciação (25 de março). O resplendor que, em cada aparição, precedia e seguia a chegada da Virgem, cercando-a de raios celestiais, projetava nesse dia um clarão ainda mais refulgente. Ela se mostrou em toda a beleza da candura de Virgem, em todo o fulgor da dignidade de Mãe e de Rainha.
Bernadette, como em êxtase, levantou a cabeça para ver melhor a celeste aparição e, conforme as indicações do vigário de Lourdes, dirigiu-lhe a pergunta:
“Ó minha Senhora, queira ter a fineza de dizer-me quem é e qual o seu nome?”
Tendo repetido quatro vezes a mesma pergunta, a Virgem separou as mãos, abaixando-as à terra e elevando-as de novo para o céu, juntou-as diante do peito e disse com uma expressão de inefável ternura:
“EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO.”
Mais aparições de Nossa Senhora de Lourdes
No dia 7 de abril, a Virgem Imaculada mostrou-se de novo a Bernadette, tão bela, tão radiante, que a feliz vidente entrou imediatamente em êxtase. Nesse estado, ela inclinou as mãos meio juntas acima do círio que havia trazido e depositado por terra, de modo que a chama passava através de seus dedos levemente separados.
Um médico presente observou o fato, que durou quinze minutos. Tendo a extática voltado a si, ele lhe tomou a mão para observar o efeito do fogo: a chama não lhe havia ocasionado nenhuma queimadura.
Enfim, em 16 de julho, festa de Nossa Senhora do Carmo, Bernadette viu, pela última vez, a radiosa aparição, que não lhe disse palavra, mas saudou-a com um leve sorriso, como para dizer-lhe adeus antes de voltar ao reino da glória.
A Virgem de Lourdes era tão bela — dizia Bernadette — como nunca se viu beleza igual; bela, ajuntava ela sorrindo, como deve sê-lo no céu.
Um dia, interrogada por uma de suas companheiras sobre a beleza da aparição, não pôde responder senão por meio de uma espécie de êxtase e exclamou tristemente:
“Para se ter uma ideia da beleza de Maria, precisava-se ir ao céu.”
Sobre seu leito de agonia, uma criancinha de uns seis anos perguntou-lhe com meiguice:
— Minha irmã, a senhora viu Nossa Senhora?
— Sim — respondeu baixinho a enferma.
— Era bela? — continuou a criança.
— Oh! tão bela — exclamou Bernadette com vivacidade — que, depois de tê-la visto, a gente deseja morrer para vê-la de novo.
II – OS ENSINAMENTOS DE LOURDES
São numerosos os ensinamentos da Virgem Imaculada, tanto do ponto de vista dogmático quanto do ponto de vista moral.
É uma confirmação da infalibilidade do Soberano Pontífice. Em dezembro de 1854, o Santo Padre Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição. Apenas três anos depois desta solene proclamação, eis que a Virgem Santíssima, em 11 de fevereiro de 1858, vem confirmar pessoalmente este glorioso privilégio, dando a si mesma o nome de:
Imaculada Conceição
O Papa havia dito: Ela é Imaculada em sua Conceição;
a Virgem Santa respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição.
Na sexta aparição, tendo Bernadette perguntado à Virgem Santíssima o que era preciso fazer, ela respondeu:
“Rezar pelos pecadores.”
É uma das verdades mais esquecidas e uma das obrigações da vida cristã mais descuidadas: Deus quer salvar os pecadores, mas, como eles mesmos, estando em estado de pecado, não podem merecer a graça da conversão, esta deve ser pedida pelas almas justas.
Donde urge o dever de rezar por eles, para que se convertam.
Aparece tendo nas mãos o rosário, entregue por ela, a primeira vez, a São Domingos, como instrumento eficaz da conversão dos albigenses, e que hoje quer ver recitado para a salvação da sociedade, em perigo de dissolução.
Na oitava aparição, a Virgem Santa exclamou por três vezes:
“Penitência! Penitência! Penitência!”
É a lição do espírito de penitência ou de sacrifício, tão necessário em nossos tempos.
O mundo naufraga no gozo dos sentidos; o antídoto é a penitência: o afastamento dos perigos, a fuga das ocasiões, a mortificação das paixões e das faculdades da nossa alma.
“Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lucas 13, 5)
III – Socorrro do Céu: Os Sinais, Curas e Milagres
Desde esse dia, Lourdes tem sido a cidade dos milagres. Conforme o desejo da Imaculada, construiu-se ali um majestoso santuário, aonde o povo cristão, em piedosa romaria, acorre de todas as partes do mundo.
Milhares de enfermos, do corpo ou da alma, têm encontrado ali, na gruta de Massabielle, na procissão do Santíssimo Sacramento, a saúde, a fé, o fervor e a generosidade.
Lourdes é a cidade da Imaculada; é também a cidade da Eucaristia.
A Mãe e o Filho estão ali reunidos nas homenagens que recebem do povo cristão, como na realização dos milagres que diariamente se verificam. É como a renovação da cena de Caná:
“Et erat Mater Jesu ibi, vocatus est autem et Jesus”
“E a mãe de Jesus estava lá, e Jesus também foi chamado.” (Jo 2, 1-2 – Bodas de Caná)
A Virgem Santa pede: o Filho atende.
Maria intercede: Jesus concede.
Todas as noites, o Santíssimo Sacramento é levado processionalmente em redor da esplanada da Basílica. É nessa ocasião que os numerosos enfermos, deitados ao lado do caminho que Jesus deve percorrer, imploram com mais fé:
“Jesus, Filho de Davi, socorrei-nos!”
É nesta ocasião que se alcança a maior parte dos milagres.
Maria Santíssima é ali, de modo especial, a Virgem do Santíssimo Sacramento. Lourdes é como o berço do título aprovado pela Igreja: Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.
Em meio das nossas ocupações, durante as nossas orações, representemo-nos, às vezes, a doce aparição da Imaculada, tal qual se mostrou a Bernadette, recolhendo os ensinamentos:
-
rezar pelos pecadores;
-
fazer penitência;
-
aproximar-nos frequentemente da Sagrada Eucaristia.
Padre Julio Maria Lombarde





























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