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A Missa Parte Por Parte

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O que é a Missa?

Para celebrar e viver bem a Santa Missa, é preciso entender o que é a Missa parte por parte: seus Ritos, Símbolos e Significados.

A participação do Sacerdote e dos Fiéis na Santa Missa

Na missa, o sacerdote atua in persona Christi (na pessoa de Cristo), presidindo a celebração, consagrando a Eucaristia e guiando o povo como pastor, enquanto os fiéis participam ativamente através da oração, do canto, da escuta da Palavra e da oferta de si mesmos, formando uma assembleia unida em adoração. Portanto, a postura e os gestos do sacerdote e dos fiéis se distinguem durante a Santa Missa.

A Divisão da Missa parte por parte

A missa está dividida em quatro partes bem distintas:

  1. Ritos Iniciais

Comentário Introdutório da missa do dia, Canto de Abertura, Acolhida, Antífona de Entrada, Ato Penitencial, Hino de Louvor e Oração Coleta.

  1. Rito da Palavra

Primeira Leitura, Salmo Responsorial, Segunda Leitura, Aclamação ao Evangelho, Proclamação do Evangelho, Homilia, Profissão de Fé e Oração da Comunidade.

  1. Rito Sacramental

1ª Parte – Oferendas: Canto/Procissão das Oferendas, Orai Irmãos e Irmãs, e Oração Sobre as Oferendas;

2ª Parte – Oração Eucarística: Prefácio, Santo, Consagração e Louvor Final;

3ª Parte – Comunhão: Pai Nosso, Abraço da Paz, Cordeiro de Deus, Canto/Distribuição da Comunhão, Interiorização, Antífona da Comunhão e Oração após a Comunhão.

  1. Ritos Finais

Mensagem, Comunicados da Comunidade, Canto de Ação de Graças e Bênção Final.

Posições do Corpo e Gestos dos Fiéis na Santa Missa

Na liturgia, o corpo também reza. As posturas e os gestos dos fiéis durante a Santa Missa não são meros costumes externos, mas expressões visíveis da fé interior, sinais de reverência, escuta, adoração, humildade, comunhão e participação ativa no Mistério celebrado. Cada gesto possui profundo significado espiritual e pedagógico, ajudando o fiel a viver plenamente o Sacrifício Eucarístico.

Ritos Iniciais

 Instrução Geral ao Missal Romano, n.º 24:

“Os ritos iniciais ou as partes que precedem a liturgia da palavra, isto é, cântico de entrada, saudação, ato penitencial, Senhor, Glória e oração da coleta, têm o caráter de exórdio, introdução e preparação. Estes ritos têm por finalidade fazer com que os fiéis, reunindo-se em assembléia, constituam uma comunhão e se disponham para ouvir atentamente a Palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia”.

Comentário Inicial

Este tem por fim introduzir os fiéis ao mistério celebrado. 

“Reunido o povo, enquanto o sacerdote entra com os ministros, começa o canto de entrada. A finalidade desse canto é abrir a celebração, promover a união da assembléia, introduzir no mistério do tempo litúrgico ou da festa, e acompanhar a procissão do sacerdote e dos ministros” (IGMR n.25).

O canto

Durante a missa, todas as músicas fazem parte de cada momento. Através da música participamos da missa cantando. A música não é simplesmente acompanhamento ou trilha musical da celebração: a música é também nossa forma de louvarmos a Deus. Daí a importância da participação de toda assembléia durante os cantos.

A procissão de entrada

O povo de Deus é um povo peregrino, que caminha rumo ao Pai.  Os fiéis fazem uma leve inclinação com a cabeça (veniat) ao passar a cruz processional. Embora seja comum a tradição de saudar o sacerdote, o foco litúrgico na entrada é a reverência a Cristo (Cruz) e ao Altar, que representa o próprio Cristo. Havendo um bispo, inclinar-se quando ele passar, reconhecendo-o assim como pastor do rebanho; representante da autoridade da Igreja de Cristo.

Ao final da procissão, chegando diante do altar, somente o sacerdote faz reverência (inclinação profunda).

O beijo no altar

É no altar que ocorre o mistério eucarístico. O presidente da celebração ao chegar beija o altar, que representa Cristo, em sinal de carinho e reverência por tão sublime lugar.

Sinal da Cruz

Nos lembramos que pela cruz de Cristo nos aproximamos da Santíssima Trindade.

Saudação

Retirada na sua maioria dos cumprimentos das Cartas de Paulo, o presidente da celebração e a assembléia se saúdam. 

Ato Penitencial

O sacerdote convida toda assembléia um momento de silêncio, reconhecer-se pecadora e necessitada da misericórdia de Deus. Após o reconhecimento da necessidade da misericórdia divina, o povo a pede em forma de ato de contrição: Confesso a Deus Todo-Poderoso… Ou em forma de diálogo por versículos bíblicos: Tende compaixão de nós… Ou em forma de ladainha: Senhor, que viestes salvar… Após, segue-se a absolvição do sacerdote.

Tal ato pode ser substituído pela aspersão da água, que nos convida a rememorar-nos o nosso compromisso assumido pelo batismo e através do simbolismo da água pedirmos para sermos purificados. Se houver o Rito da Aspersão, fazer o sinal da Cruz quando o padre aspergir água em sua direção.

O Ato Penitencial perdoa os pecados veniais, por isso, tradicionalmente é rezado com a cabeça inclinada.

Hino de Louvor – Glória

Sua raiz bíblica está no cântico dos anjos no nascimento de Jesus (Lc 2,14). É uma mistura de louvor e súplica, em que a assembléia congregada no Espírito Santo, dirige-se ao Pai e ao Cordeiro. É proclamado nos domingos – exceto os do tempo da quaresma e do advento – e em celebrações especiais, de caráter mais solene. Pode ser cantado, desde que mantenha a letra original e na íntegra.

Note-se que o gesto de inclinar a cabeça ao Nome de Jesus Cristo é prescrito somente ao presidente da celebração, conforme IGMR (Instrução Geral do Missal Romano). Isso se aplica também ao pedir que o Senhor receba a nossa oração. (“Senhor, escutai a nossa prece” etc.,; ao fim das orações presidenciais: “Por Cristo nosso Senhor” etc.)

Oração da Coleta

Encerra o rito de entrada e introduz a assembléia na celebração do dia.

“Após o convite do celebrante, todos se conservam em silêncio por alguns instantes, tomando consciência de que estão na presença de Deus e formulando interiormente seus pedidos. Depois o sacerdote diz a oração que se costuma chamar de ‘coleta’, a qual a assembléia dá o seu assentimento com o ‘Amém’ final” (IGMR 32).

Rito da Palavra

“A fé vem pelo ouvir a palavra de Cristo”. (conf. Rm 10, 17)

É a segunda parte da missa, e também a segunda mais importante, ficando atrás, somente do Rito Sacramental, que é o auge de toda celebração.

Começamos essa parte sentados, em uma posição confortável que facilita a instrução. 

Primeira Leitura

Costuma a ser extraída do Antigo Testamento.

Isso é feito para demonstrar que já o Antigo Testamento previa a vinda de Jesus e que Ele mesmo o cumpriu (cf. Mt 5,17). De fato, não poucas vezes os evangelistas citam passagens do Antigo Testamento, principalmente dos profetas, provando que Jesus era o Messias que estava por vir.

Salmo Responsorial

É a resposta orante e meditativa da assembleia à Palavra de Deus proclamada. O ideal é que o salmo seja cantado por um salmista. O refrão deve ser cantado pela assembleia e as estrofes pelo salmista. Caso não seja possível cantar, o salmo deve ser recitado de forma meditativa.

Segunda Leitura

Tem como característica extrair textos do Novo Testamento, das cartas escritas pelos apóstolos (Paulo, Tiago, Pedro, João e Judas), mais notadamente as escritas por São Paulo. Demonstra o vivo ensinamento dos Apóstolos dirigido às comunidades cristãs.

Canto De Aclamação Ao Evangelho

Feito o comentário ao Evangelho, a assembléia a se põe de pé, para aclamar o Evagelho. O Canto de Aclamação tem como diferencial a palavra “Aleluia”, um termo hebraico que significa “louvai ao Senhor”. Estamos saudando Jesus como fizeram as multidões quando Ele adentrou Jerusalém no domingo de Ramos.

O Canto deve ser tirado do lecionário, pois se identifica com a leitura do dia, por isso não se pode colocar qualquer música como aclamação, não basta que tenha a palavra aleluia.

Durante o tempo da Quaresma e do Advento, tempos de preparação para a alegria maior, a palavra “Aleluia” não aparece no Canto de Aclamação ao Evangelho.

Evangelho

Antes de iniciar a leitura do Evangelho, se estiver sendo feito uso de incenso, o sacerdote ou o diácono (depende de quem for ler o texto), incensará a Bíblia e, logo a seguir, iniciará a leitura do texto.

O texto do Evangelho é sempre retirado dos livros canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João, e jamais pode ser omitido. É falta gravíssima não proceder a leitura do Evangelho ou substituí-lo pela leitura de qualquer outro texto, inclusive bíblico.

Ao encerrar a leitura do Evangelho, o sacerdote ou diácono profere a expressão: “Palavra da Salvação!” e toda a comunidade glorifica ao Senhor, dizendo: “Glória a vós, Senhor!”. Neste momento, o sacerdote ou diácono, em sinal de veneração à Palavra de Deus, beija a Bíblia (rezando em silêncio: “Pelas palavras do santo Evangelho sejam perdoados os nossos pecados”) e todo o povo pode voltar a se sentar.

Nunca se deve bater palmas quando o bispo ergue o Lecionário e abençoa o povo. Deve-se fazer o sinal da cruz.

Homilia

A homilia nos recorda o Sermão da Montanha. Da mesma forma como Jesus ensinava com autoridade, após sua ascensão, a Igreja recebeu a incumbência de pregar a todos os povos e ensinar-lhes a observar tudo aquilo que Cristo pregou. A autoridade de Cristo foi, portanto, passada à Igreja.

A homilia é o momento em que o sacerdote, como homem de Deus, traz para o presente aquela palavra pregada por Cristo há dois mil anos. Neste momento, devemos dar ouvidos aos ensinamentos do sacerdote, que são os mesmos ensinamentos de Cristo, pois foi o próprio Cristo que disse: “Quem vos ouve, a mim ouve. Quem vos rejeita, a mim rejeita” (Lc 10,16). Logo, toda a comunidade deve prestar atenção às palavras do sacerdote.

A homilia é obrigatória aos domingos e nas solenidades da Igreja. Nos demais dias, ela também é recomendável, mas não obrigatória.

Profissão de Fé (Credo)

Encerrada a homilia, todos ficam de pé para recitar o Credo. Isso nada mais é do que um resumo da fé católica, que nos distingue das demais religiões. É como um juramento público, como nos lembra o PE Luiz Cechinatto.

Embora existam outros Credos católicos, expressando uma única e mesma verdade de fé, durante a missa costuma-se a recitar o Símbolo dos Apóstolos, oriundo do séc. I, ou o Símbolo Niceno-Constantinopolitano, do séc. IV. O primeiro é mais curto, mais simples; o segundo, redigido para eliminar certas heresias a respeito da divindade de Cristo, é mais longo, mais completo. Na prática, usa-se o segundo nas grandes solenidades da Igreja.

Oração da Comunidade

A Oração da Comunidade ou Oração dos Fiéis, como também é conhecida, marca o último ato do Rito da Palavra. Nela toda a comunidade apresenta suas súplicas ao Senhor e intercede por todos os homens. Alguns pedidos não devem ser esquecidos pela comunidade: As necessidades da Igreja, As autoridades públicas, A paz e a salvação do mundo inteiro, As necessidades da Comunidade Local.

A introdução e o encerramento da Oração da Comunidade devem ser feitas pelo sacerdote. Quando possível, devem ser feitos espontaneamente. As preces podem ser feitas pelo comentarista, mas o ideal é que sejam feitas pela equipe de Liturgia, ou ainda pelos próprios fiéis. Cada prece deve terminar com expressões como: “Rezemos ao Senhor”, entre outras, para que a comunidade possa responder com: “Senhor, escutai a nossa prece” ou “Ouvi-nos, Senhor”

Quando o sacerdote conclui a Oração da Comunidade, dizendo, por exemplo: “Atendei-nos, ó Deus, em vosso amor de Pai, pois vos pedimos em nome de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso”. a assembléia encerra com um: “Amém!”.

Rito Sacramental

Na liturgia eucarística atingimos o ponto alto da celebração. Durante ela a Igreja irá tornar presente o sacrifício que Cristo fez para nossa salvação. Não se trata de outro sacrifício, mas de trazer para nossa realidade a Salvação que Deus nos deu. Durante esta parte a Igreja eleva ao Pai, por Cristo, sua oferta e Cristo dá-se como oferta por nós ao Pai, trazendo-nos graças e bênçãos para nossas vidas.

É durante a liturgia eucarística que podemos entender a Missa como uma ceia, pois afinal de contas nela podemos enxergar todos os elementos que compõem uma: temos a mesa – mais propriamente a mesa da Palavra e a mesa do pão. Temos o pão e o vinho, ou seja, o alimento sólido e líquido presentes em qualquer ceia. Tudo conforme o espírito da ceia pascal judaica, em que Cristo instituiu a eucaristia.

E de fato, a Eucaristia no início da Igreja era celebrada em uma ceia fraterna. Porém foram ocorrendo alguns abusos, como Paulo os sinaliza na Primeira Carta aos Coríntios. Aos poucos foi sendo inserida a celebração da palavra de Deus antes da ceia fraterna e da consagração. Já no século II a liturgia da Missa apresentava o esquema que possui hoje em dia.

A liturgia eucarística é dividida em: apresentação das oferendas, oração eucarística e rito da comunhão.

Apresentação das Oferendas

Apesar de conhecida como ofertório, esta parte da Missa é a apresentação dos dons que serão ofertados junto com o Cristo durante a consagração. Devido o fato de maioria das Missas essa parte ser cantada não podemos ver o que acontece durante esse momento. Conhecendo esses aspectos poderemos dar mais sentido à celebração.

Analisemos inicialmente os elementos do ofertório: o pão, o vinho e a água. O que significam? De fato foram os elementos utilizados por Cristo na última ceia, mas eles possuem todo um significado especial:

1) o pão e o vinho representam a vida do homem, o que ele é, uma vez que ninguém vive sem comer nem beber;

2) representam também o que o homem faz, pois ninguém vai à roça colher pão nem na fonte buscar vinho;

3) em Cristo o pão e o vinho adquirem um novo significado, tornando-se o Corpo e o Sangue de Cristo. Como podemos ver, o que o homem é, e o que o homem faz adquirem um novo sentido em Jesus Cristo.

E a água? Durante a apresentação das oferendas, o padre mergulha algumas gotas de água no vinho. E o porquê disso? As gotas de água representam a humanidade que se transforma quando diluída em Cristo.

Podemos considerar também quando o padre derrama o vinho no cálice, como o Sangue de Cristo que é todo derramado sobre a humanidade e sobre cada um em particular.

Somente teremos a Graça de viver profundamente cada um destes momentos se estivermos atentos e em silêncio interior, abertos à ação de Deus.

Preparação do altar

“Em primeiro lugar prepara-se o altar ou a mesa do Senhor, que é o centro de toda liturgia eucarística, colocando-se nele o corporal, o purificatório, o cálice e o missal, a não ser que se prepare na credência” (IGMR 49).

Procissão das oferendas

Neste momento, trazem-se os dons em forma de procissão. Lembrando que o pão e o vinho representam o que é o homem e o que ele faz, esta procissão deve revestir-se do sentimento de doação, ao invés de ser apenas uma entrega da água, do vinho e das partículas ao sacerdote.

Apresentação das oferendas a Deus

O sacerdote apresenta a Deus as oferendas através da fórmula: Bendito sejais… e o povo aclama: Bendito seja Deus para sempre! Este momento passa despercebido da maioria das pessoas devido ao canto do ofertório. O ideal seria que todo o povo participasse desse momento, sendo o canto usado apenas durante a procissão, e a coleta fosse feita sem as pessoas saírem de seus locais. O canto não é proibido, mas deve procurar durar exatamente o tempo da apresentação das oferendas, para que o sacerdote não fique esperando para dar prosseguimento à celebração.

A coleta do ofertório

Já nas sinagogas hebraicas, após a celebração da Palavra de Deus, as pessoas costumavam deixar alguma oferta para auxiliar as pessoas pobres. E de fato, este momento do ofertório só tem sentido se reflete nossa atitude interior de dispormos os nossos dons em favor do próximo. Aqui, o que importa não é a quantidade, mas sim o nosso desejo de, assim como Cristo, nos doarmos pelo próximo. Representa nosso desejo de aos poucos nos tornarmos eucaristia.

O lavar as mãos

Representa a atitude, por parte do sacerdote, de tornar-se puro para celebrar dignamente a eucaristia.

O Orai Irmãos…

Agora o sacerdote convida toda assembléia a unir suas orações à ação de graças do sacerdote.

Oração sobre as Oferendas

Esta oração coleta os motivos da ação de graças e oferece na oração eucarística. Sempre muito rica, deve ser acompanhada com muita atenção e confirmada com o nosso amém!

A Oração Eucarística

É na oração eucarística em que atingimos o ponto alto da celebração. Nela, por meio de Cristo que se dá por nós, mergulhamos no mistério da Santíssima Trindade, mistério de nossa salvação:

“A oração eucarística é o centro e ápice de toda celebração, é prece de ação de graças e santificação. O sacerdote convida o povo a elevar os corações ao Senhor na oração e na ação de graças e o associa à prece que dirige a Deus Pai por Jesus Cristo em nome de toda comunidade. O sentido desta oração é que toda a assembléia se una com Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na oblação do sacrifício” (IGMR 54).

Prefácio

Após o diálogo introdutório, o prefácio possui a função de introduzir a assembléia na grande ação de graças que se dá a partir deste ponto. Existem inúmeros prefácios, abordando sobre os mais diversos temas: a vida dos santos, Nossa Senhora, Páscoa etc.

Santo

É a primeira grande aclamação da assembléia a Deus Pai em Jesus Cristo. O correto é que seja sempre cantado, levando-se em conta a maior fidelidade possível à letra da oração original.

A invocação do Espírito Santo

Pelo Espírito Santo, Cristo realizou sua ação quando presente na história e a realiza nos tempos atuais. A Igreja nasce do Espírito Santo, que transforma o pão e o vinho. A Igreja tem sua força na Eucaristia.

A Consagração

Deve ser toda acompanhada por nós. É reprovável o hábito de permanecer-se de cabeça baixa durante esse momento. Reprovável ainda é qualquer tipo de manifestação quando o sacerdote ergue a hóstia, pois este é um momento sublime e de profunda adoração. Nesse momento o mistério do amor do Pai é renovado em nós. Cristo dá-se por nós ao Pai trazendo graças para nossos corações. Daí ser esse um momento de profundo silêncio.

No momento da Consagração de cada espécie, inclinar brevemente a cabeça e rezar interiormente “Meu Senhor e meu Deus”, reconhecendo a presença de Cristo no altar (no mesmo momento que o sacerdote se ajoelha e levanta). Estas são as palavras de São Tomé ao reconhecer verdadeiramente a Cristo quando este lhe apareceu no Cenáculo (cf. Jo 20, 28). Jesus disse: “Acreditaste porque me viste. Felizes os que acreditaram sem ter visto” (Jo 20, 29).

Ficar de pé imediatamente no momento em que o sacerdote proclama: “Eis o Mistério da Fé!”

Preces e intercessões

Reconhecendo a ação de Cristo pelo Espírito Santo em nós, a Igreja pede a graça de abrir-se a ela, tornando-se uma só unidade. Pede para que o papa e seus auxiliares sejam capazes de levar o Espírito Santo a todos. Pede pelos fiéis que já se foram e pede a graça de, a exemplo de Nossa Senhora e dos santos, os fiéis possam chegar ao Reino para todos preparados pelo Pai.

Doxologia Final

“Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre.”

É uma espécie de resumo de toda a oração eucarística, em que o sacerdote tendo o Corpo e Sangue de Cristo em suas mãos louva ao Pai e toda assembléia responde com um grande “amém”, que confirma tudo aquilo que ela viveu. O sacerdote a diz sozinho.

O Pai-Nosso

É o desfecho natural da oração eucarística. Uma vez que unidos a Cristo e por ele reconciliados com Deus, nada mais oportuno do que dizer: Pai nosso… Esta oração deve ser rezada em grande exaltação, se for cantada, deve seguir exatamente as palavras ditas por Cristo, quando as ensinou aos discípulos. Segue aqui uma observação: o único local em que não dizemos “amém” ao final do Pai Nosso é na Missa, dada a continuidade.

Os fiéis podem rezar de mãos estendidas como o sacerdote, ou não.

Oração pela paz

Uma vez reconciliados em Cristo, pedimos que a paz se estenda a todas as pessoas, presentes ou não, para que possam viver em plenitude o mistério de Cristo. Pede-se também a Paz para a Igreja, para que, desse modo, possa continuar sua missão. Esta oração é rezada somente pelo sacerdote.

O cumprimento da Paz

É um gesto simbólico, uma saudação pascal. Por ser um gesto simbólico não há a necessidade em sair do local para cumprimentar a todos na Igreja. Não é momento de dispersão. Também não é permitido que se cante durante esse momento, uma vez que deveria durar pouco tempo.

O Cordeiro de Deus

O sacerdote e a assembléia se preparam em silêncio para a comunhão. Neste momento o padre mergulha um pedaço do pão no vinho, representando a união de Cristo presente por inteiro nas duas espécies. A seguir todos reconhecem sua pequenez diante de Cristo e como o Centurião exclamam: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo.” Cristo não nos dá apenas sua palavra, mas dá-se por amor a cada um de nós.

A comunhão

Durante esse momento a assembléia dirige-se à mesa eucarística. O canto deve procurar ser um canto de louvor moderado, salientando a doação de Cristo por nós. A comunhão pode ser recebida nas mãos ou na boca, tendo o cuidado de, no primeiro caso, a mão que recebe a hóstia não ser a mesma que a leva a boca.

Recomenda-se ajoelhar-se em oração ao retornar para o banco depois da Comunhão, até o sacerdote se sentar, ou até que ele diga “Oremos”. Mas é opcional.

Aqueles que por um motivo ou outro não comungam, por não se encontrarem devidamente preparados (estado de graça santificante), é importante que façam desse momento também um momento de encontro com o Cristo, no que chamamos de Comunhão Espiritual.

Após a comunhão segue-se a ação de graças, que pode ser feita em forma de um canto ou pelo silêncio, que dentro da liturgia possui sua linguagem importantíssima. O que não pode é esse momento ser esquecido ou utilizado para conversar com quem está ao nosso lado.

Oração após a comunhão

Infelizmente criou-se o mau costume em nossas assembléias de se fazer essa oração após os avisos, como uma espécie de convite apressado para se ir embora. Esta oração liga-se ainda a liturgia eucarística, e é o seu fechamento, pedindo a Deus as graças necessárias para se viver no dia-a-dia tudo que se manifestou perante a assembléia durante a celebração.

Ritos Finais

“O rito de encerramento da missa consta fundamentalmente de três elementos: a saudação do sacerdote, a bênção, que em certos dias e ocasiões é enriquecida e expressa pela oração sobre o povo, ou por outra forma mais solene, e a própria despedida, em que se despede a assembléia, afim de que todos voltem ás suas atividades louvando e bendizendo o Senhor com suas boas obras” (IGMR 57).

Para muitos, este momento é um alívio, está cumprido o preceito dominical. Mas esta parte é o envio, é o início da transformação do compromisso assumido na Missa em gestos e atitudes concretas. Ouvimos a Palavra de Deus e a aceitamos em nossas vidas. Revivemos a Páscoa de Cristo, assumindo também nós esta passagem da morte para a vida e unimo-nos ao sacrifício de Cristo ao reconhecer nossa vida como dom de Deus e orientando-a em sua direção. 

Avisos

Sem demais delongas, este momento é o oportuno para dar-se avisos à comunidade, bem como para as últimas orientações do presidente da celebração.

Bênção Final

Para alguns liturgistas, esse momento é um momento de envio, pois o sacerdote abençoa os fiéis para que estes saiam pelo mundo louvando a Deus com palavras e gestos, contribuindo assim para sua transformação.

Despedida

Para entender este momento, lembremos da despedida da missa no rito latino: “Ite, Missa est”. Traduzindo para o português, soa algo como “Vá, você tem uma bênção e uma missão a cumprir”, pois em latim, missa significa missão, bênção.

Nesse sentido, a eucaristia significa bênção, já que através da doação de seu Filho, Deus abençoa toda a humanidade. De posse desta boa-graça dada pelo Pai, os cristãos são re-enviados ao mundo para que se tornem eucaristia, fonte de bênçãos para o próximo. 

Permanecer de pé até que todos os ministros tenham saído em procissão. (Se houver procissão recessional, fazer inclinação ao crucifixo quando ele passar.)

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