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Origem da Festa de São José Operário – 1 de Maio

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Como todos os cristãos que viveram aquele momento, também eu recebi com emoção e alegria a decisão de celebrar a festa litúrgica de São José Operário. Essa festa, que é uma canonização do valor divino do trabalho, mostra como a Igreja, na sua vida coletiva e pública, se faz eco das verdades centrais do Evangelho, que Deus deseja ver especialmente meditadas nos nossos dias (É Cristo que passa, n. 52).

O autor dessas palavras é São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei. “Aquele momento” ao qual o santo se referia era o ano de 1955, quando a Igreja recorreu ao seu grande protetor para vencer um grande inimigo: o comunismo.

A festa de São José Operário é “uma canonização do valor divino do trabalho”

Nos primeiros anos do século XX, o comunismo ganhou o apoio de muitos líderes ao redor do mundo, levando nações inteiras a sucumbir diante de suas ideias. Em razão do sério perigo que aquela ideologia nefasta representava para o bem comum, o Papa Pio XI, em 1937, recorreu a São José, a fim de que o pai terreno de Jesus livrasse a Igreja dos muitos erros do comunismo. Assim escreveu:

Pomos a grande ação da Igreja Católica contra o comunismo ateu mundial sob a égide do poderoso Protetor da Igreja, São José (Divini Redemptoris, n. 81).

Em resposta às palavras do Santo Padre, os católicos começaram a pedir fervorosamente a intercessão de São José, especificamente sob o título de “Terror dos Demônios”, para que ele combatesse as ideias ateias do comunismo. Além disso, também suplicavam sua ajuda na causa dos direitos dos trabalhadores, pois ambos os assuntos eram temas de grande preocupação na primeira metade do século XX.

Origem do 1o. de Maio

Algo relacionado a isso, mas pouquíssimo conhecido do público, é que até meados do século XIX se celebrava em muitos países um feriado secular no dia 1.º de maio. Infelizmente, os comunistas se aproveitaram da data e a “rebatizaram” como “Dia dos Trabalhadores Comunistas”. Com isso, eles pretendiam enfatizar mais as ideias de Karl Marx e influenciar as massas. Em razão disso, o Vigário de Cristo, Venerável Pio XII, voltou-se para São José, como já havia feito o seu predecessor, e denunciou as falsidades do comunismo, elevando a dignidade do trabalho de um jeito bem específico. No dia 1.º de maio de 1955, o Papa declarou que, dali para frente, a data seria a festa litúrgica de São José Operário. Ele contou a novidade aos operários com estas palavras:

Estamos felizes por anunciar-vos nossa decisão de instituir — como, de fato, instituímos — a festa litúrgica de São José Operário, para o dia 1.º de maio. Estais satisfeitos com este nosso presente, operários? Estamos certos de que estais, porque o humilde operário de Nazaré não somente personifica diante de Deus e da Igreja a dignidade de um homem que trabalha com suas mãos, mas é também o guardião providente de vós e vossas famílias (Alocução à Associação Cristã de Trabalhadores Italianos, 1.º de maio de 1955).

São José, terror dos demônios

São José é, de fato, uma luz na escuridão e modelo de trabalhador. Ele revela a malícia dos inimigos da família e ilumina a escuridão dos movimentos errôneos que, por vários ardis, procuram despir as pessoas de sua dignidade e apagar Deus das mentes e dos corações das famílias e nações. Afinal, se São José confronta o comunismo, o fascismo ou qualquer outro tipo de ideologia política, é por ser o protetor da dignidade humana e, sobretudo, o “Terror dos Demônios”.

A festa litúrgica de São José Operário foi instituída pela Igreja justamente para incutir nos trabalhadores o mesmo ímpeto salvífico que Jesus tinha no Coração durante suas horas de trabalho ao lado de seu pai. Fazendo-se carne, Jesus santificou o trabalho humano e o elevou a um nível de grandeza que não existia antes da sua Encarnação. Sendo de condição divina, Deus se humilhou a si mesmo, fez-se um homem e trabalhou como homem; em sua humanidade, aprendeu a trabalhar como homem, imitando o seu pai na terra, São José.

Com esse mesmo espírito de oração e labor — ora et labora —, os operários cristãos devem expulsar os demônios da acídia, da concupiscência e do orgulho que tanto destroem as famílias, infiltrando-se nos ambientes por meio de ideologias desumanas. E é de São José, nosso patrono, que os trabalhadores devem herdar tal espírito. Eis aqui algumas razões teológicas que nos levam a crer nisso. Em sua humanidade, Nosso Senhor aprendeu a trabalhar como homem, imitando o seu pai na terra, São José.

São José é o modelo de trabalhador

Se São José ensinou o Homem-Deus a trabalhar, ele também é mais do que capaz de nos servir como modelo. O trabalho duro beneficia a pessoa, a família e a sociedade. Por isso, o Papa Pio XI recordava a respeito de São José: “Ele pertence à classe operária e experimentou o peso da pobreza, em si e na Sagrada Família, da qual era chefe vigilante e afetuoso” (Divini Redemptoris, n. 81).

O trabalho não é sempre fácil e prazeroso. Um dia duro de trabalho pode ser um peso para a mente, o corpo e a alma. E, como um carpinteiro, São José sabia disso em primeira mão. Desse modo, Nosso Senhor e ele oferecem conforto a todos os que vivem do próprio suor, como nos atestam as Escrituras: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós, pois meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

São José ensinará você a ser um trabalhador diligente

Nosso Senhor desejou fazer trabalhos manuais por longos anos antes de iniciar seu ministério público. Por que Ele fez isso? Porque queria santificar o trabalho e, assim, nos mostrar como nossas tarefas podem ser dignas e agradáveis aos olhos de Deus. Por outro lado, é bom destacar que nem Jesus nem São José eram viciados em trabalhar, porque algo assim não traz benefício algum nem ao trabalhador, nem à família, nem à sociedade. Deus não se agrada de tais pessoas.

Jesus aprendeu o lugar certo do trabalho em sua vida por meio do exemplo apaixonante de São José. O pai de Nosso Senhor tinha tempo para Deus, para a família, para recreações e para o descanso. E do mesmo modo que ele apresentou estes aspectos da vida humana a Jesus, também nos pode ensinar as mesmas lições. O pai de Nosso Senhor tinha tempo para Deus, para a família, para recreações e para o descanso.

São José, modelo para aqueles que trabalham pela salvação das almas

Por último, mas não menos importante, São José também serve como modelo de operário para aqueles que trabalham pela salvação das almas, especialmente os diáconos, padres, bispos e religiosos. Almas consagradas têm de trabalhar diligente e fielmente na vinha de Deus. E esse trabalho também pode ser duro e oneroso. Padres, diáconos e almas consagradas são seres humanos, que precisam descansar e entreter-se como qualquer um. Em raras ocasiões, Deus dá graças extraordinárias para que se realizem penitências heróicas, jejuns e mortificações. Entretanto, Deus nunca deseja que seus obreiros se esgotem até o limite. Quer que aproveitem também os riachos das montanhas, as florestas e o pôr do sol. Quer padres e religiosas que sejam como São José: apaixonados, orantes, bons trabalhadores e que não tenham medo de descansar.

Saibamos, pois, neste dia especial, recorrer à intercessão do glorioso São José, a fim de que, com seu modelo, ele nos ajude a expulsar os demônios que nos impedem de cumprir nossa vocação.

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ, COMPOSTA POR SÃO PIO X

“Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência para expiação de meus numerosos pecados;

De trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações;

De trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus;

De trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades;

De trabalhar, sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência nos sucessos, tão funesta à obra de Deus!

Pe. Donald Calloway

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