São Pedro e São Paulo, Colunas da Igreja
São Pedro e São Paulo são os príncipes dos Apóstolos. Pedro, como Apóstolo universal; Paulo, como Apóstolo dos gentios. Ambos regaram a Igreja nascente com seu sangue, em Roma, onde, por uma providência divina, trabalharam e foram coroados pelo martírio. Desse modo, unidos como foram em vida, Deus não os separou na morte.
No ano 67 da era cristã, em 29 de junho, Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, a seu próprio pedido, na colina do Vaticano, onde hoje se ergue a Basílica de São Pedro, em Roma. Paulo foi decapitado na Via Óstia, no lugar onde se levanta a Basílica de São Paulo Extramuros.
Simão Pedro era natural de Betsaida. Foi um dos primeiros Apóstolos chamados por Nosso Senhor, juntamente com seu irmão André. Era viúvo. Depois da Ascensão, presidiu ao primeiro Concílio de Jerusalém. Fixou depois residência em Antioquia e, posteriormente, em Roma, governando a Igreja durante vinte e cinco anos.
São Paulo, ou Saulo, era natural de Tarso, na Ásia Menor, e foi educado no espírito dos fariseus. Converteu-se no ano 35, dois anos após a Ascensão, tornando-se, de perseguidor dos cristãos, um ardoroso Apóstolo do Evangelho.
São indescritíveis os trabalhos, as lutas e os sofrimentos pelos quais passou por amor de Jesus Cristo. Por fim, foi conduzido a Roma, carregado de ferros. Depois de longa permanência no cárcere, foi decapitado no mesmo dia em que São Pedro foi crucificado. Leia mais: Conheça a Doutrina da Igreja Católica
Evangelho (Mateus 16,13-19)
13 – Naquele tempo, chegando Jesus à região de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: — Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? 14 – Eles responderam: — Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou algum dos profetas. 15 – Jesus perguntou-lhes: — E vós, quem dizeis que eu sou? 16 – Respondendo, Simão Pedro disse: — Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17 – Então Jesus lhe respondeu: — Bem-aventurado és tu, Simão, filho de João, porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram isso, mas meu Pai, que está nos céus. 18 – E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19 – Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligares sobre a terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares sobre a terra será desligado também nos céus.
São Pedro e os Papas
É uma página sublime entre as mais sublimes do Evangelho a que meditamos nesta Solenidade. A festa é de São Pedro e de São Paulo; porém, o Evangelho nos apresenta hoje somente a bela e entusiasta figura de Pedro. Não somente de Pedro, Simão, filho de João, mas de toda a dinastia de Pedro. A própria vocação de Pedro é uma revelação. Pedro foi o terceiro Apóstolo escolhido, sendo os dois primeiros João e André. Foram estes que trouxeram Pedro a Jesus. Vendo-o aproximar-se, Jesus parou, fitou-o demoradamente e, examinando-o, disse: — Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas, que quer dizer Pedro. (Jo 1,42)
Notemos bem a gradação desta cena. Jesus fitou-o, diz o Evangelho: Intuitus eum. Em latim há três palavras para graduar o olhar: videre, aspicere e intueri; isto é: ver, considerar e examinar. Jesus examinou Pedro; mas seu olhar não viu simplesmente Simão, o pescador. Viu Pedro, o Papa, o chefe desta dinastia vinte vezes secular do Papado. Contemplemos esta cena admirável, considerando: I – A profissão de fé de Pedro; II – A confirmação dessa fé.
I – A Profissão de Fé de São Pedro
Pedro deve ser o chefe da Igreja universal. Antes de subir ao Céu, Jesus Cristo quis formar Ele mesmo o seu sucessor visível e empossá-lo em suas funções de Doutor Supremo. A missão de Pedro e de todos os Papas é, antes de tudo, apresentar ao mundo Cristo, Filho de Deus, como centro e fundamento de toda a verdade. Jesus Cristo faz uma pergunta que provoca uma resposta decisiva. Interroga os Apóstolos acerca de sua personalidade: — Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?
Cada um repete o que ouviu e, talvez, o que pensava. Uns dizem que é Elias; outros, João Batista; outros, Jeremias ou algum dos profetas. Depois de ouvir todas essas opiniões, o divino Mestre quer conhecer a opinião pessoal dos Apóstolos. Por isso, interpela-os diretamente: — E vós, quem dizeis que eu sou?
Ele interroga os Apóstolos em geral; logo, cabia ao chefe deles responder em nome de todos. Pedro vai falar. Vai dar a primeira definição doutrinal. Vai dogmatizar. É o primeiro ato de autoridade que Pedro exerce sob o olhar de seu Mestre. É o Papa quem vai falar, sob a inspiração do Espírito Santo. Jesus Cristo está ali e escuta. Os Apóstolos, os primeiros Bispos, estão atentos. Todos escutam. Pedro responde sem hesitação. Sua palavra é curta, sublime e majestosa, como a do próprio Jesus Cristo, a quem representa: — Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!
Tudo está realizado. A Igreja está fundada e já está funcionando. Jesus Cristo escolheu Pedro como primeiro chefe da sua Igreja e, na mesma ocasião, esse novo chefe, inspirado pelo Espírito Santo, lança sua primeira proclamação dogmática diante do mundo inteiro. Pedro é a pedra fundamental, e sobre essa pedra está colocado o trono de Cristo, o Filho de Deus vivo. Pela primeira vez, a proclamação do Papa ecoa pelo mundo, e continuará a ecoar através dos séculos. Todos os Papas serão continuadores dessa primeira cena, e seus lábios continuarão a manter, proclamar e defender a fé em Jesus Cristo. Eis Pedro feito pedra viva da Igreja, sua base, seu órgão e seu chefe supremo. Leia mais: A Importância da Tradição e do Magistério da Igreja na Interpretação da Bíblia
II – A Confirmação desta Fé
Vimos a primeira parte desta cena sublime. Vejamos agora a sua confirmação. Pedro falou, e falou como chefe da Igreja. Sua primeira proclamação de fé é a verdade fundamental do Catolicismo: Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo.
Escutemos agora a resposta de Jesus, confirmando as palavras de Pedro, assim como confirmará as definições doutrinais de todos os Papas:
Bem-aventurado és tu, Simão, filho de João, porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram isso, mas meu Pai, que está nos céus.
O próprio Jesus Cristo poderia ter proclamado essa verdade fundamental. Não o quis fazer. Preferiu que o chefe da sua Igreja a proclamasse em seu nome, estabelecendo como dogma fundamental a sua divindade. A si mesmo reservou a aprovação. E aprova Pedro de modo categórico, declarando que não foi Pedro, enquanto simples filho de João, quem falou, mas o Pai celeste, que lhe revelou essa resposta, fazendo dele o canal infalível da palavra do Pai Eterno. Entretanto, Jesus Cristo vai ainda mais longe. Para mostrar, de modo incontestável, que essa proclamação não seria um fato isolado na Igreja, mas uma prerrogativa permanente do chefe visível da Igreja, acrescenta:
Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Eis a promessa da duração perpétua do poder conferido a Pedro. Ele proclamará a verdade, e as portas do inferno — isto é, os vícios, as paixões, os erros, as hipocrisias e as violências — jamais prevalecerão contra a proclamação doutrinal de Pedro e de seus sucessores. A Igreja e o Papa são uma só realidade. A Igreja não repousa simplesmente sobre o Papa como um edifício repousa sobre um fundamento. Se assim fosse, seria apenas uma construção material e inerte. É o Papa quem dá à Igreja sua unidade visível, sua vida, seu movimento e sua ação. É o Papa quem mantém a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, imprimindo-lhe essas notas características, próprias e incomunicáveis. Leia mais: Por que Jesus fundou a Igreja Católica Apostólica Romana?
O Papa é:
- o princípio da unidade da Igreja;
- a força expansiva de sua catolicidade;
- a fonte visível de sua santidade;
- o vínculo de sua apostolicidade.
Tudo repousa sobre ele, a tal ponto que, se fosse possível — o que jamais acontecerá — que a Igreja viesse a desaparecer, o Papa a restauraria, em virtude do poder e da paternidade espiritual que Cristo lhe confiou. Vê-se, portanto, quais devem ser os sentimentos dos católicos para com o sucessor de Pedro. Uma dedicação inviolável. Ele é invencível. A terra pode tremer. Os impérios podem cair. As nações podem desaparecer. Mas o Papado não será abalado.
Ó Pedro! Ó Papa! Ó Pai! A quem iremos nós? Vós tendes as palavras da vida eterna. O Papa é invencível. É também imutável. Os homens erram. Os sábios falham. Os gênios fracassam. Somente o Papa permanece como guardião da verdade, preservado do erro quando ensina solenemente a fé e a moral. As águas de um novo dilúvio poderiam submergir os cumes da terra; jamais alcançariam o Vaticano, de onde o Papa as contemplaria sereno, na majestade de sua missão e na firmeza da assistência prometida por Cristo.
III – Conclusão
A conclusão impõe-se por si mesma. A quem devemos apegar-nos neste mundo? Sobre quem devemos apoiar-nos em meio às vacilações do tempo presente? A quem seguir nas trevas das dúvidas? Ao Papa. Ele é o farol. Ele é o rochedo. Tudo passa. Ele permanece. Se hoje o Papa nos dirigisse a mesma pergunta que Jesus fez aos seus discípulos:
Quereis vós também afastar-vos de mim?
Respondamos imediatamente com as palavras de Pedro, agora dirigidas ao seu sucessor:
Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna. Nós cremos e reconhecemos que és o sucessor de Pedro, o representante de Cristo, Filho do Deus vivo. (cf. Jo 6,68-69)
É isso que nos recorda a festa de São Pedro e São Paulo. São eles as duas grandes colunas da Igreja. Pedro, o Apóstolo do mundo. Paulo, o Apóstolo dos gentios. Pedro é o primeiro chefe da Igreja. Cada Papa é seu sucessor através dos séculos. Cada Papa é um novo Pedro. É Pedro perpetuado na história. A cada novo Pontífice, Jesus Cristo continua a repetir: “Tu és Pedro.”
Tu eras Joaquim Pecci… Agora és Leão XIII. Tu eras José Sarto… Agora és Pio X. Tu eras Giacomo della Chiesa… Agora és Bento XV. Tu eras Achille Ratti… Agora és Pio XI. E a sucessão continuará, de São Pedro até o último Papa que Deus houver de conceder à sua Igreja. Cada um deixa o nome recebido no século para assumir, simbolicamente, o nome da missão confiada por Cristo: Tu és Pedro. Ó Santo Padre! A ti, minha veneração. A ti, meu amor. A ti, minha vida. Beijo os teus pés. São os pés de Pedro. São os pés do Vigário de Cristo. Salve, ó Pedro! Salve, ó Santo Padre!
“O Evangelho das Festas Litúrgicas”
Padre Júlio Maria Lombaerde






























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