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Santa Maria Madalena, Maria irmã de Lázaro e a mulher que unge os pés de Jesus são a mesma pessoa?

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Ao longo da história do cristianismo, muitas pessoas passaram a identificar Santa Maria Madalena, Maria de Betânia (irmã de Marta e Lázaro) e a mulher que unge os pés de Jesus como sendo uma única pessoa. Essa interpretação influenciou profundamente a arte, a literatura e a devoção cristã durante séculos.

Entretanto, uma leitura atenta dos Evangelhos mostra que os textos bíblicos apresentam essas mulheres de maneira distinta. Atualmente, a Igreja Católica reconhece que não há fundamento bíblico suficiente para afirmar que sejam a mesma pessoa. Neste artigo veremos quem são essas mulheres, quais passagens bíblicas as apresentam, por que elas foram identificadas como uma única pessoa durante tanto tempo e o que a Igreja ensina sobre essa questão.


Quem foi Santa Maria Madalena?

Santa Maria Madalena aparece diversas vezes nos Evangelhos e é identificada por sua cidade de origem, Magdala, às margens do Mar da Galileia. O primeiro encontro dela com Jesus é descrito por São Lucas:

“Algumas mulheres haviam sido curadas de espíritos malignos e enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios.” (Lucas 8,2)

Também São Marcos recorda esse fato:

“Ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios.” (Marcos 16,9)

Depois de ser libertada por Cristo, Maria Madalena tornou-se uma das mulheres que acompanhavam Jesus e os Apóstolos, servindo-os com seus bens.

“Essas mulheres ajudavam Jesus e os discípulos com os seus recursos.” (cf. Lucas 8,1-3)

Ela permaneceu fiel durante a Paixão, esteve junto à cruz, acompanhou o sepultamento e foi a primeira testemunha da Ressurreição. Jesus lhe confiou o anúncio da vitória sobre a morte:

“Vai a meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai.”

(João 20,17)

Por esse motivo, a tradição cristã a chama de “Apóstola dos Apóstolos”, título reconhecido oficialmente pela Igreja. 🙏🏻➡️Leia mais: Santa Maria Madalena: sua história de conversão, o encontro com Jesus e lições de fé


Quem foi Maria, irmã de Marta e Lázaro?

Outra personagem importante é Maria de Betânia, irmã de Marta e de Lázaro. Ela vivia na aldeia de Betânia, próxima de Jerusalém. O Evangelho apresenta essa família como amiga íntima de Jesus. São Lucas narra um episódio muito conhecido:

“Maria sentou-se aos pés do Senhor e escutava a sua palavra.” (Lucas 10,39)

Enquanto Marta se preocupava com os afazeres da casa, Maria permanecia ouvindo Jesus. Cristo elogia sua escolha:

“Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.” (Lucas 10,42)

Mais tarde, quando Lázaro morre, Maria manifesta profunda fé em Jesus:

“Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.” (João 11,32)

Após esse diálogo ocorre o extraordinário milagre da ressurreição de Lázaro. 🙏🏻➡️Leia mais: Lições de Marta, Maria e Lázaro: a verdadeira amizade com Jesus


Quem foi a mulher que unge os pés de Jesus?

Em São Lucas aparece outra mulher. O evangelista não informa seu nome. Ele apenas diz:

“Uma mulher pecadora que havia na cidade…” (Lucas 7,37)

Ela entra na casa do fariseu Simão, chora aos pés de Jesus, banha-os com lágrimas, enxuga-os com seus cabelos e unge-os com perfume. Jesus então declara:

“Os seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque muito amou.” (Lucas 7,47)

Em nenhum momento Lucas identifica essa mulher como Maria Madalena. Também não afirma que ela seja Maria de Betânia. Ela permanece anônima em todo o Evangelho. 🙏 Clique aqui e receba orações, reflexões e novidades do SITE CATÓLICO no seu whatsapp! 


Maria de Betânia também unge Jesus

A situação torna-se mais complexa porque Maria de Betânia também unge Jesus, mas em um episódio diferente. São João afirma claramente:

“Maria tomou uma libra de perfume de nardo puro, muito precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos.” (João 12,3)

Nesse caso, o evangelista identifica explicitamente a mulher:

“Maria era aquela que ungiu o Senhor com perfume.” (João 11,2)

Esse episódio acontece em Betânia, pouco antes da Paixão. Jesus interpreta o gesto como preparação para sua sepultura. 📖 Quer ter uma experiência profunda do Amor de Deus através da Palavra? Clique aqui e receba o Evangelho do dia e uma breve reflexão feita por padres. 


As diferenças entre os relatos

Embora existam semelhanças — perfume, cabelos e pés de Jesus — os Evangelhos apresentam diferenças importantes.

A mulher que unge os pés de Jesus (Lucas 7)

  • Não recebe nome.
  • É chamada apenas de “pecadora”.
  • O encontro acontece na Galileia.
  • O anfitrião é Simão, o fariseu.
  • O tema principal é o perdão dos pecados.

Maria de Betânia (João 12)

  • É identificada claramente como irmã de Marta e Lázaro.
  • O episódio ocorre em Betânia.
  • A refeição acontece poucos dias antes da Paixão.
  • Lázaro está presente.
  • O perfume simboliza a preparação para a morte de Cristo.

Maria Madalena

  • Nunca é apresentada ungindo Jesus.
  • Nunca é chamada de pecadora pública.
  • É identificada como a mulher da qual Jesus expulsou sete demônios.
  • Acompanha Jesus durante seu ministério.
  • Está presente na crucifixão, sepultamento e Ressurreição.

Por que muitos acreditaram que fossem a mesma pessoa?

Essa associação surgiu nos primeiros séculos do cristianismo, mas ganhou enorme força no Ocidente a partir do século VI. Em uma famosa homilia, Papa São Gregório Magno reuniu essas três figuras em uma única personagem. Seu raciocínio baseava-se principalmente em alguns elementos comuns:

  • todas demonstram profundo amor por Jesus;
  • duas delas ungem os pés de Cristo;
  • Maria Madalena aparece logo após o relato da mulher pecadora em Lucas (cf. Lucas 7–8);
  • os sete demônios expulsos de Maria Madalena foram interpretados simbolicamente como sinal de uma vida de graves pecados.

Essa interpretação pastoral teve enorme influência na espiritualidade medieval, na pintura e na literatura cristã. Durante muitos séculos, Maria Madalena foi representada como a grande pecadora convertida.


O que a Igreja Católica ensina?

A Igreja reconhece que os Evangelhos não afirmam que essas mulheres sejam a mesma pessoa. Ao contrário, a leitura histórica e exegética dos textos mostra fortes indícios de que se tratam de pessoas diferentes. Por isso:

  • Maria Madalena é venerada como discípula fiel e primeira testemunha da Ressurreição.
  • Maria de Betânia é lembrada como amiga de Jesus, irmã de Marta e Lázaro.
  • A mulher pecadora de Lucas permanece sem nome.

Em 1969, com a reforma do Calendário Romano Geral e das leituras litúrgicas, a Igreja deixou de identificar oficialmente Maria Madalena com a pecadora anônima de Lucas ou com Maria de Betânia. Em 2016, sua celebração litúrgica foi elevada à categoria de Festa, destacando sua missão singular como testemunha da Ressurreição.


O que os Evangelhos realmente afirmam?

Os textos inspirados permitem afirmar com segurança que:

  • Maria Madalena foi libertada por Jesus de sete demônios (Lc 8,2).
  • Ela acompanhou Cristo até a Cruz.
  • Foi a primeira pessoa a encontrar o Senhor ressuscitado (Jo 20,11-18).
  • Maria de Betânia era irmã de Marta e Lázaro (Jo 11,1-2).
  • Maria de Betânia ungiu Jesus em Betânia pouco antes da Paixão (Jo 12,3).
  • A mulher pecadora de Lucas permanece anônima (Lc 7,36-50).

Qualquer identificação entre elas pertence ao campo da tradição interpretativa, não sendo uma afirmação explícita das Sagradas Escrituras.


Conclusão

Santa Maria Madalena ocupa um lugar único na história da salvação. Ela foi curada por Cristo, tornou-se sua fiel discípula, permaneceu junto da Cruz quando muitos fugiram e recebeu a missão de anunciar aos Apóstolos a Ressurreição.

Maria de Betânia também é um belíssimo exemplo de amizade, contemplação e amor ao Senhor, enquanto a mulher que unge os pés de Jesus, em Lucas, revela o poder da misericórdia divina que transforma os corações.

Embora durante séculos essas figuras tenham sido identificadas como uma só pessoa, os próprios Evangelhos apresentam elementos suficientes para distingui-las. Conhecer essas diferenças permite compreender melhor cada testemunho e admirar, em cada uma delas, uma manifestação particular da graça de Deus e da resposta humana ao chamado de Cristo.

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