São Lourenço, fiel e corajoso diácono da Igreja primitiva
Astro de primeira grandeza, brilha o nome de São Lourenço no firmamento da Igreja primitiva. Um dos primeiros sete diáconos da Igreja romana, recebeu São Lourenço a ordenação das mãos do Papa Santo Estêvão. Os Santos Padres nada nos dizem sobre a filiação; alguns chamam-no o arcediago (também chamado de arquidiácono) do Papa, título honroso que põe em relevo as raras qualidades e altas virtudes do jovem clérigo. O encargo de arcediago era administrar os bens da Igreja e socorrer os pobres, que viviam às custas da mesma.
As crudelíssimas perseguições do Imperador Valeriano visavam, em primeira linha, os bispos, sacerdotes e diáconos, e uma das primeiras vítimas foi o santo Papa São Sisto, que sofreu o martírio pela fé em 258. São Lourenço acompanhou-o até o lugar do suplício e, com os olhos marejados de lágrimas, num ardente desejo de morrer com o pai espiritual, disse-lhe:
“Meu pai, para onde ides sem vosso filho? Para onde, santo Bispo, sem vosso diácono? Jamais oferecestes o sacrifício sem que eu vos acompanhasse? Em que vos desagradei? Encontrastes em mim uma infidelidade? Examinai bem e vede se, para a distribuição do sangue de Jesus Cristo, escolhestes um servo indigno.”
O Papa, comovido com estas palavras de verdadeira dedicação filial, respondeu:
“Não te abandono, meu filho! Deus reservou-te provação maior e vitória mais brilhante, pois és moço e forte ainda; a velhice e a fraqueza fazem com que tenham dó de mim; daqui a três dias me seguirás.”
Tendo assim falado, deu ao jovem diácono instrução sobre os tesouros da Igreja, aconselhando-o a que os repartisse entre os pobres, para assim impedir que os pagãos os sequestrassem. Clique aqui e receba orações, reflexões e novidades do SITE CATÓLICO no seu whatsapp!
São Lourenço e os tesouros da Igreja
Fiel ao aviso do Pai espiritual, Lourenço procurou todos os pobres, viúvas e órfãos da Igreja e, entre eles, repartiu o dinheiro que havia. Objetos de ouro, prata, como pedras preciosas, vasos sagrados de grande valor, tudo Lourenço vendeu, e com o dinheiro socorreu os pobres que a Igreja sustentava e cujo número era acima de 1.500. Quando o Prefeito da cidade teve conhecimento dos grandes tesouros que existiam na Igreja e de que Lourenço era administrador, mandou-o chamar à sua presença e disse-lhe:
“Nada de ti exijo que te não seja possível executar. Soube que vossos sacerdotes se servem de vasos de ouro e prata nos vossos sacrifícios e que usais de velas de cera, colocadas em castiçais de ouro. Soube que vossa religião vos ordena dar a César o que é de César; trazei-me, pois, todos estes objetos, de que o Imperador tem precisão.”
“É verdade — replicou Lourenço —, a Igreja é rica, mais rica que o Imperador. Concedei-me o prazo necessário e tudo será arranjado em boa ordem.” Quer ter uma experiência profunda do Amor de Deus através da Palavra? Clique aqui e receba o Evangelho do dia e uma breve reflexão feita por padres.
Os pobres como verdadeiros tesouros da Igreja
O Prefeito, supondo que se tratasse de riquezas materiais, deu-lhe de boa vontade um prazo de três dias. Não pequeno foi para o santo diácono o trabalho de convidar todos os pobres, viúvas, órfãos, cegos, mudos, paralíticos, inválidos e desamparados, para que no terceiro dia comparecessem à porta da igreja.
Assim aconteceu. Vieram os pobres em grande número e, tendo-os todos reunidos, Lourenço convidou o Prefeito para inspecionar os tão falados tesouros da Igreja. Veio o Prefeito e, quando inquiriu a Lourenço sobre a existência das riquezas, este apontou para a multidão dos pobres e miseráveis e disse:
“Eis os tesouros da Igreja: os miseráveis que levam com resignação sua cruz; que nada sabem dos vícios e paixões que tornam miseráveis os grandes do mundo. Conhecei neles o ouro cheio de luz celeste. Vede mais as pérolas e joias preciosíssimas: as viúvas e virgens consagradas a Deus, que formam a coroa da Igreja, por serem as almas prediletas de Jesus Cristo.”
Vendo-se assim iludido, o Prefeito prorrompeu em raiva furiosa:
“É assim que te atreves a ludibriar a autoridade romana? Miserável! Se o teu desejo é morrer, pois bem, hás de morrer, mas de uma morte longa e cruel.”
O martírio de São Lourenço
Deu então ordem para que Lourenço fosse cruelmente açoitado e por outros modos atormentado. Finalmente, mandou que trouxessem uma grelha, que foi posta sobre brasas. O santo diácono foi então despido e colocado sobre a grelha. O semblante ardia-lhe de fogo divino, diz Santo Ambrósio, e do corpo se desprendia um perfume delicioso, que era percebido pelos cristãos, não, porém, pelos pagãos. Tendo sofrido por algum tempo este horrível martírio, Lourenço, com um sorriso nos lábios, disse ao juiz:
“Se quiserdes, podereis dar ordem para que me virem, visto que deste lado já estou bastante assado!”
E, pouco depois:
“Se estiverdes servido, eis que minha carne está bem assada.”
O Prefeito disse-lhe em resposta só palavras de escárnio. O santo Mártir, porém, rezava a Jesus Cristo pela conversão da metrópole do mundo, na qual São Pedro e São Paulo tinham plantado a cruz, regando-a com o próprio sangue. Lourenço morreu em 10 de agosto de 258.
A morte de São Lourenço e sua conversão de Roma
S. Prudêncio é de opinião que a conversão da cidade de Roma é fruto do martírio de São Lourenço. Seja como for, fato é que, logo após a morte do santo diácono, alguns senadores romanos, que lhe foram testemunhas oculares do martírio, no mesmo dia se converteram à religião de Jesus Cristo. Eles mesmos, tomando o corpo do Santo nos braços, o sepultaram com todas as honras, no campo Verano.
Milagres e devoção a São Lourenço
Desde a morte de São Lourenço, começou a declinar a idolatria em Roma. Santo Agostinho, S. Gregório de Tours e outros Santos Padres enumeram muitos milagres com que Deus glorificou o túmulo e a memória de S. Lourenço. Em Roma existem sete igrejas dedicadas ao glorioso diácono Mártir. A mais suntuosa de todas está na Espanha: é aquela que Filipe II edificou em honra de São Lourenço, em ação de graças pela vitória sobre os franceses em 10 de agosto de 1557.
Reflexões
É um engano pensar que nada nos pode obrigar a praticar obras de caridade. Dar uma esmola a um pobre é um grande favor feito a ele e a Deus. A caridade é uma lei que a todos obriga, sob pena de perderem o Céu e serem condenados ao inferno. Devemos, como cristãos, reconhecer no pobre a pessoa de Nosso Senhor.
Praticando a caridade, não nos devemos deixar guiar por outros motivos senão por este: o pobre, seja quem for, é irmão de Cristo e, como tal, deve ser tratado. É esta a doutrina expressa do Evangelho. A recompensa perpétua e a condenação eterna serão o resultado da caridade praticada ou não praticada.
“Tudo que fizestes ou deixastes de fazer ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes ou deixastes de fazer.”
Fonte: Na Luz Perpétua – Padre João Batista Lehmann






























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