Quem foi Santa Maria Madalena († séc. I)
Celebramos em 22 de Julho, Santa Maria Madalena, em cuja fronte não fulgura o diadema das virgens de Cristo, mas de uma santa penitente. Era Maria Madalena conhecida na cidade por pecadora, como afirma o Santo Evangelho, que relata a história da conversão dessa alma predileta de Deus. Dos espinhos da penitência brotou-lhe a rosa do amor. As lágrimas de arrependimento lavaram-lhe a veste maculada da alma.
“Veni, sponsa Christi!” Vem, ó esposa de Cristo! — é o cântico com que a Igreja entra hoje na festa de Santa Maria Madalena. Será possível que estas palavras se apliquem a uma pecadora? Será possível que uma pessoa nas condições de Maria Madalena possa merecer o qualificativo honroso de esposa de Cristo? A coroa da inocência, que perdera, foi substituída pela coroa do amor penitente. As graças abundantes que do Senhor recebeu provam-nos o amor imenso que Deus tem à nossa alma.
Nas margens do lago de Genesaré havia, no tempo de Nosso Senhor, uma rica vivenda, chamada Magdala. Quer a tradição que aquela vivenda tenha sido a residência de Maria Madalena, jovem descendente de família nobre e rica, dotada de qualidades invejáveis de corpo e espírito. Órfã de tenra idade, bem cedo adquiriu certa independência, o que lhe foi perdição. Cortejada pelos jovens mais distintos, que lhe cobiçavam a grande fortuna, Madalena deixou-se arrastar para um terreno perigosíssimo: a vaidade e o desejo de agradar. O resultado foi que, pouco a pouco, perdendo a prudente reserva e o recato próprios de uma donzela, deu ouvidos à voz sedutora da paixão. Na ambição de ser rainha dos corações, chegou a ser escrava do pecado.
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O primeiro encontro de Santa Maria Madalena com Jesus
Quis a Providência Divina, como por acaso, que o seu olhar se cruzasse com o olhar sereno e majestoso do Divino Mestre. Pela primeira vez lhe veio a compreensão de que outra coisa, que não a sensualidade, era capaz de ferir o coração humano: o amor divino. Bastou um olhar de Jesus Cristo para dissipar as nuvens do pecado, que ofuscavam o espírito da pobre pecadora; bastou um olhar de Jesus para fazer derreter o gelo do seu coração.
(O primeiro encontro de Santa Maria Madalena com Jesus foi marcado por uma profunda libertação. O Evangelho de São Lucas relata que o Senhor havia expulsado dela sete demônios (cf. Lc 8,2), sinal do poder de Cristo sobre o mal e do início de uma vida completamente nova. A partir desse momento, Maria Madalena tornou-se uma discípula fiel, acompanhando Jesus em sua missão juntamente com outras santas mulheres, colocando seus bens a serviço do Mestre e dos Apóstolos. *)
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Santa Maria Madalena: a discípula ao pé da cruz
No monte Calvário encontramos a santa penitente entre as almas eleitas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Surda aos gritos blasfemos de uma multidão sacrílega, indiferente aos motejos sarcásticos e injuriosos, a atenção concentra-se toda na Vítima, que na cruz se oferece ao eterno Pai, em expiação dos pecados do mundo. Com o mesmo ardor com que na mocidade se entregava à paixão que a devorava, sem que se deixasse incomodar pela crítica que a censurava, assim, na hora suprema do sacrifício sanguinolento, no Gólgota, vemos ao pé da cruz, com fidelidade inquebrantável, entregue ao amor divino.
“Eu vi o Senhor!” – O encontro na Ressurreição
Esse mesmo amor, na madrugada da Páscoa, a levou ao túmulo do querido Mestre. Tendo achado vazio o sepulcro, lá se deixou ficar, debulhada em lágrimas. Assim chorando, debruçou-se sobre a sepultura. Aí viu dois anjos, vestidos de branco, assentados no lugar do corpo, um à cabeceira e outro aos pés.
Eles lhe disseram: — Mulher, por que choras?
Ela respondeu: — Porque tiraram meu Senhor e não sei onde o puseram.
Então se voltou e viu Jesus em pé, mas sem o reconhecer. Ouviu: — Mulher, por que choras?
Ela, pensando fosse o jardineiro com quem estava falando, disse-lhe: — Senhor, se fostes vós quem o tirou, dizei-me onde o pusestes e irei buscá-lo.
Jesus disse-lhe: — Maria!
Ela se virou e respondeu: — Rabboni! (isto é, Mestre!)
Essa única palavra, “Maria”, foi o bastante para tirar-lhe o véu dos olhos. “Maria!” — nome que, pronunciado por Nosso Senhor, despertou na alma de Madalena uma longa série de reminiscências. O nome de Maria, falado naquela ocasião por Jesus Cristo, era a expressão sintética de uma história, de uma vida inteira. Dizendo “Maria”, Jesus Cristo exprimira tudo o que se tinha passado entre Ele e a penitente. No dia da Ressurreição, Madalena, ouvindo seu nome de Maria pronunciado pelo Salvador ressuscitado, reconhece a voz do Pai.
Desde aquele dia, o nome de Maria Madalena, a santa penitente de Magdala, Apóstola dos Apóstolos, é pronunciado com respeito pela leitura do Evangelho da Ressurreição. O Santo Evangelho nada mais diz de Maria Madalena. É provável que tivesse estado presente à grandiosa manifestação do Divino Espírito Santo no dia de Pentecostes. Igualmente é de supor que, junto com os santos Apóstolos e Maria Santíssima, tenha assistido à Ascensão de Nosso Senhor.
Um escritor grego, referindo-se a Maria Madalena, afirma que a mesma, depois da Ascensão de Nosso Senhor, mudou-se com Maria Santíssima e São João Evangelista para Éfeso, onde teria morrido santamente. Seja como for, o certo é que Maria Madalena, Rainha das Almas Penitentes, entre as santas mulheres, e depois de Maria Santíssima, é a mais venerada pelo povo cristão, graças ao seu grande amor a Deus e extraordinária penitência.
Lições da vida e conversão de Santa Maria Madalena
Em Maria Madalena temos o exemplo de como uma grande pecadora se converte, tornando-se grande santa. À vista deste exemplo, os pecadores devem convencer-se de que a grandeza e o número dos pecados não são motivo para se entregarem ao desânimo ou ao desespero. Como Maria Madalena, também poderão alcançar o perdão das faltas, desde que, semelhantes à grande Santa Penitente, se resolvam a fazer penitência.
O início da conversão de Maria Madalena foi a audição da Palavra de Deus. Há muitos que permanecem nos pecados porque fogem da Palavra Divina.
Deve o pecador humilhar-se, caso queira praticar penitência e obter perdão dos pecados. Deus não lhe exige confissão pública, mas a declaração dos pecados ao sacerdote, no sacramento da penitência. Lembre-se o penitente de que é mais fácil aceitar a humilhação da confissão do que sofrer penas eternas no fogo do inferno.
Santa Maria Madalena não pediu outra coisa senão o perdão dos pecados. Muitos se aproximaram de Nosso Senhor para pedir-lhe alívio nas aflições. “Mas esta”, diz São João Crisóstomo, “pediu a saúde da alma, a libertação das cadeias do pecado e foi atendida imediatamente”. É um aviso para nós, que, antes de tudo, devemos procurar o bem da nossa alma e pedir a Deus as graças necessárias para salvá-la.
Fonte: Na Luz Perpétua – Padre João Batista Lehmann
* nota do Site Católico: Os Evangelhos não afirmam explicitamente que Maria Madalena seja: a pecadora que unge os pés de Jesus em Lucas 7,36-50; e Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro (João 11–12). Essas identificações fizeram parte da tradição ocidental durante muitos séculos, especialmente após a homilia de São Gregório Magno (séc. VI). Atualmente, a exegese católica distingue essas personagens, embora autores espirituais e obras antigas frequentemente as tratem como a mesma pessoa. O que os Evangelhos afirmam de forma inequívoca é que Maria Madalena foi libertada por Jesus, tornou-se sua discípula, permaneceu fiel junto à Cruz e foi a primeira testemunha da Ressurreição.






























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