O lugar que competia a Jesus Ressuscitado era o Céu, que é a morada das almas e dos corpos bem-aventurados
Quis Jesus, todavia, permanecer quarenta dias sobre a terra, e aparecer repetidas vezes a seus discípulos para os certificar da sua resurreição e instruí-los nas coisas relativas a sua Igreja. Tendo desempenhado esta nobre missão, quis o Senhor, antes de deixar a terra, mostrar-se mais uma vez aos apóstolos em Jerusalém; e por não acreditarem na sua resurreição, ordenou-lhes que fossem para o Monte das Oliveiras, o lugar onde tinha começado a sua Paixão, afim de que compreendessem que o verdadeiro caminho para ir ao céu é o dos sofrimentos.
Na Ascensão de Jesus, a subida das almas justas
Depois, repetiu-lhes mais uma vez o que já lhes havia ordenado, especialmente que fossem pregar o Evangelho pelo mundo inteiro; o Divino Redentor levantou as mãos e os abençoou. Em seguida, como medita São Boaventura, Jesus abraça a Sua Santíssima Mãe e aperta-a contra o coração, anima e conforta os seus discípulos, que, entre lágrimas, lhe beijam os pés, e com as mãos levantadas e o semblante extraordinariamente majestoso e amável, coroado e vestido como rei, se eleva lentamente ao Céu, levando em sua companhia as numerosíssimas almas justas, livradas do limbo.
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O júbilo da entrada de Jesus no Paraíso
A esta vista, todos os presentes ajoelham novamente e Jesus mais uma vez os abençoa. Afinal uma nuvem subtrai o Divino Redentor, e Jesus vai sentar-se à direita do Pai, onde não cessa de ser nosso Medianeiro e Advogado. Avivemos a nossa fé, e contemplemos o júbilo que a entrada triunfal de Jesus causou no Paraíso: alegremo-nos com o nosso Divino Mestre, e unamos os nossos afetos aos de Maria Santíssima, e dos santos discípulos.
Suspiremos pela Pátria Celeste
Como a águia ensina seus filhos a voarem, assim, no Mistério da Ascensão, Jesus Cristo nos exorta a elevar o nosso vôo e acompanhá-lo ao Céu, senão com o corpo, ao menos com nosso coração. Desprendamos os nossos corações da terra, e suspiremos pela pátria celeste, onde se encontra a nossa felicidade plena: esperando, como diz o Apóstolo, “a adoção de filhos de Deus, a redenção de nosso corpo” (Rm 8, 23).
Despojemo-nos do homem velho
Entretanto, tenhamos sempre diante dos olhos os exemplos da vida mortal do Senhor; imitando a sua humildade e mansidão, o seu espírito de mortificação, a sua caridade e o seu zelo pela Glória Divina. Numa palavra, despojemo-nos do homem velho, revestindo-nos das virtudes de Jesus Cristo, que são como que o manto, que, à imitação de Elias, Ele deixou para seus discípulos, quando subiu ao Céu.
Recordemos: Jesus voltará!
Para vencermos todas as dificuldades que se encontram no caminho do Senhor, recordemos muitas vezes a grande verdade que os anjos ensinaram aos discípulos, que, arrebatados, olhavam o céu, para o qual acabava de subir o seu amado mestre: “Jesus Cristo voltará um dia à Terra com a mesma majestade e glória, como Juiz dos vivos e dos mortos” (Atos 1 ,11).
Oração
Meu querido Redentor Jesus, regozijo-me pelo vosso triunfo glorioso, e rogo-vos que arranqueis de meu coração todo o afeto aos bens miseráveis desta terra, para não suspirar senão pelos do Paraíso, que Vós merecestes para mim, pela Vossa Paixão. A mesma Graça peço de Vós, ó Pai Eterno. Concedei-me que, assim como creio firmemente que Vosso Filho Unigênito e Nosso Redentor subiu ao Céu, assim possa continuamente morar ali com o meu espírito e os meus desejos. Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. Amém.
Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório – Tomo II






























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